Um Dia Qualquer, de Ella
O dia de Ella começou tarde. E por que não? Era senhora de si, dona do próprio tempo – e quando se tem o tempo como aliado, dormir até mais tarde vira um gesto de liberdade.
À tarde, encontrou sua parceira de praia, de seresta e – por que não? – de caminhada também. As duas sempre prontas para viver o que o dia oferece, mesmo quando nada está planejado.
A missão era visitar uma kitnet. Pequena, simpática, cheia de possibilidades. Conversaram, imaginaram, riram. A amizade morava ali: no olhar cúmplice, nos sonhos compartilhados com leveza.
Depois da visita, o mar as chamou. E elas atenderam, como se fosse rotina visitar aquele imenso espelho de paz. Sentaram-se, contemplaram o vai e vem das ondas, deixaram o pensamento descansar.
Sem pressa, decidiram caminhar na orla. Passos calmos, conversa solta, risos surgindo como quem agradece o instante. A parada foi natural: uma barraca de água de coco. Sentaram, beberam devagar, saboreando a simplicidade de estar ali, vivas e inteiras.
“Não estava na programação”, comentou Ella com um sorriso. Mas o que é a vida senão aquilo que não se planeja e, ainda assim, faz todo sentido?
No fim, ela guardou o dia como quem coleciona tesouros. E sussurrou para si:
— Mais dias como hoje.
Ella. Sempre Ella.
Suzana Super Maravilhosa
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