Nascer é um acontecimento. Viver, um risco. Envelhecer, ah… envelhecer é um privilégio. Ella sabe disso.
Já viveu mais de meio século e diz, com a voz tranquila de quem aprendeu muito: *“Ando devagar porque já tive pressa. Levo esse sorriso porque já chorei demais.”* É um verso que ela carrega como mantra, como bandeira de quem já atravessou tempestades e ainda sabe se encantar com o pôr do sol.
Hoje em dia, ela acorda sem pressa. Não há mais gritos infantis pela casa, nem lancheiras para preparar, nem sapatos perdidos debaixo da cama. Seus filhos já estão criados, e isso lhe dá uma liberdade nova, quase estranha. Uma liberdade com gosto de café coado e pão na chapa.
Ella vive como pode — e às vezes, como quer. Tem dias em que calça o tênis e sai para caminhar pelas ruas do bairro, sentindo o vento conversar com seu rosto. Mas há manhãs em que a cama é mais forte, especialmente se a chuva cai com aquele som que embala a alma. Nesses momentos, ela se enrola no cobertor como quem se protege do mundo, ou talvez como quem só quer sentir o conforto de estar consigo mesma.
Mas Ella também sabe se divertir. Quando a música chama, ela vai. Vai pra seresta, vai pra dança, vai pra vida. Sorri, canta, gira — feito moça recém-chegada aos 20 e poucos… só que não. Porque ela entendeu que a alegria não tem idade, tem vontade.
Ella aprendeu que os dias não são iguais. E tudo bem. Há dias de riso solto e outros de silêncio fundo. Mas todos eles, sem exceção, fazem parte do presente que é estar aqui. E estar aqui é, por si só, uma dádiva.
Ella vive no tempo dela, no ritmo do coração, no compasso da experiência. E se alguém perguntar, ela responde com convicção: hoje não precisa correr.
Suzana Super Maravilhosa
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