segunda-feira, 12 de maio de 2025

A Companhia de Ella

 A Companhia de Ella


De janeiro a dezembro, o calendário se enfeita com datas festivas — réveillon, Páscoa, São João, aniversários, Natal… Mas Ella, com sua alma serena e coração amadurecido pelo tempo, aprendeu que não é o calendário quem dita sua alegria.

Na madrugada do dia 31 de dezembro, enquanto fogos estouram e taças tilintam em tantos lares, Ella contempla o céu em silêncio. Se está com seus filhos, celebra com afeto e gratidão. Mas se o destino não os coloca ao seu lado, ela não se entristece. Pelo contrário, prepara um chá, e brinda à vida com sua companhia preferida: ela mesma.
E por muitas vezes deita antes do estourar dos fogos. E ali deitada ouvindo os fogos, faz sua oração de agradecimento por mais um ano que se inicia e adormece. No dia seguinte é só mais um dia com um novo calendário.

Solitude, para Ella, não é ausência, é presença. Presença de si. Ella não se sente só — sente-se inteira. Descobriu que há uma liberdade doce em escolher o silêncio quando o mundo grita festa. E entre uma data comemorativa e outra, vai colecionando instantes de paz, seja ao som de uma música suave, seja lendo algo que a inspire ou escrevendo mais uma poesia.

Sim, Ella já viveu outras fases, já esperou convites, já sentiu ausências. Mas hoje, ela prefere a leveza de estar bem consigo mesma. E se um dia os filhos chegam com sorriso e abraço, ela se alegra. Se não chegam, ela se abraça.

Porque a festa, para Ella, acontece dentro e acontece todos os dias.

Suzana Super Maravilhosa

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