segunda-feira, 15 de abril de 2024

Abro as cortinas

 Abro as cortinas

Não foi a primeira vez que fui machucada

O que sofri coloquei na memória.

Será mais um arquivo na gaveta.

São muitas gavetas.

Até aqui aprendi a guardar os fatos nas gavetas.

Às vezes um gatilho, aciona uma chave

E muitas gavetas se abrem.

Passa um, dois dias abertas como uma cicatriz mal curada.

Dói, machuca, mas sei que vai passar.

Assim consegui viver ao longo dos meus anos, meus cinquenta mais.

Sendo machucada, me curando.

Sem permitir que o machucado se desenvolva em feridas na alma.

Que se transformam em doenças físicas.

Aprendi a ressignificar, tirar o bem do mal.

Aprendi que uma ferida demora a cicatrizar.

E depois de cicatrizada, tenho que olhá-la como parte da minha história.

Tenho marcas no corpo, marcas na alma.

Mas a cada dia tem uma chance de fechar as gavetas e abrir as cortinas.

Então, abro as cortinas e lembro que a vida é um grande espetáculo.

Um espetáculo com diversos atos.

Com comédia, drama, tragédia.

E vivo cada ato no presente, sem fugir das cenas.

Aprendi que encarar os atos desse espetáculo mágico

Chorar quando for pra chorar, passar pela crise de ansiedade.

Dançar muito, ri até me engasgar com o riso.

Tudo isso faz parte da vida de um ser humano vivo.

Aprendi a fechar gavetas novas.

Aprendi a fechar gavetas reabertas.

Aprendi a viver a minha história

Aprendi a viver com o foco.

Focada em ter saúde física e mental, para assim viver muitos anos. 

Sou humana, sou psicossomática, sou energia, sou o universo que me rodeia.

Sou Suzana, fechando gavetas e abrindo cortinas





Suzana Super Maravilhosa (03-09-2022)