Eu tenho um nome, ao nascer me deram.
Eu tenho um nome que meus afetos me deram.
A arte me fez aceitar e assumir meu nome.
Eu sou Suzana Super Maravilhosa, e estou passando pelo intervalo chamado vida, que está entre o nascer e o morrer.
Quando estava ainda no útero, foi formado o meu corpo, e ali começou o intervalo da fecundação ao nascimento.
Já ali eu tinha uma questão: haverá vida após o parto? Eu estava lá, protegida, tendo tudo que precisava para existir.
Nasci, chorei, vivi, vivi, e vivi.
Aos poucos, enquanto passo por esse ciclo vejo que no caminho algumas partes do meu corpo vão se desmembrando de mim, são jogadas fora e ainda assim eu vivo. Um certo dia me foi tirado um pedaço do osso da mastoide, osso localizado no ouvido, com isso 90% da audição do ouvido esquerdo foi perdido. E meu corpo, agora vive com um pedaço a menos. Com o passar do tempo me foi retirado o útero, feliz porque já havia feito o uso dele, que acomodou, muito bem, três vidas, e que havendo nele algo indesejado, um mioma, no tempo certo ele me foi tirado. A vida segue com: menos osso da mastoide e sem útero. Um dia me tiraram a vesícula, na verdade assim como muitos outros órgãos nem sabia que existia até ele gritar e eu sentir a dor. E a vida segue com: menos osso da mastoide, sem útero e sem vesícula.
Para cada retirada existiu um luto, que com tempo foi consolado e esquecido. Até, ser como hoje lembrado. A vida é o intervalo do nascer e o renascer, mesmo que no caminho percamos ou nos tirem partes, ainda assim seremos inteiros, e estaremos nascendo sempre. Viva! Pois, existe vida após o parto!.
Obs: Escrito no dia 09 de junho 20.21, a pedido do Professor João (curso a distância na Pandemia), na segunda aula, no dia 08 de junho de 2021