Ella é barro. Não o barro endurecido, marcado por formas rígidas e definitivas, mas aquele que ainda aceita o toque do mundo, que se deixa transformar, que se molda conforme os dedos do tempo e os ventos da vida.
A cada dia, algo novo a toca. Uma palavra dita ao acaso, um olhar silencioso, uma despedida não esperada. E ela sente — ah, como sente — a pressão que esses momentos exercem. Mas não endurece. Ella não se fixa. Ao contrário, ela aprende, se ajusta, se refaz.
Há dias, porém, em que o barro some e Ella vira água. Água que escorre pelas frestas, que se infiltra nas rachaduras das horas, que flui. Água que se derrama quando transborda emoção e que, serena, se recolhe quando é preciso silêncio.
Não há contenção possível para Ella. Se tentam cercá-la, ela escapa. Se a tentam segurar, ela muda de estado. É líquida em essência, mas firme em direção. Não se deixa aprisionar em moldes alheios — ela se contorna, se reinventa, encontra novos caminhos.
Ella vive assim: entre a maleabilidade do barro e a liberdade da água. Uma alma que se transforma sem perder a essência. E que, apesar dos choques da vida, nunca deixa de seguir em frente — fluindo, sempre.
Suzana Super Maravilhosa
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