quarta-feira, 28 de maio de 2025

Ella e o caminho da melamcias

As Melancias

Dizem que a vida não tem ensaio, que o palco é direto, sem chance de voltar atrás. Mas Ella pensa diferente. Para ela, cada novo dia é, sim, um novo ensaio para o espetáculo da existência. Não porque tudo seja previsível, mas porque cada erro, cada tropeço, é uma oportunidade de ajuste, de aprendizado, de recomeço.

Ella vive como quem ensaia com o coração aberto, sabendo que o papel principal é dela, ainda que o roteiro mude de cena sem aviso prévio.

Para Ella, a vida se parece muito com um caminhão cheio de melancias. No início, tudo sacoleja, tudo parece fora do lugar. As melancias rolam, se chocam, ameaçam se partir. Mas, à medida que o caminhão avança estrada afora, entre buracos, curvas e solavancos, elas vão se encaixando. Naturalmente. No ritmo do caminho.

Assim também é a vida de Ella. Ela não espera perfeição no início, nem exige que tudo esteja no seu devido lugar logo de cara. Ella, confia no tempo, no percurso, na força dos dias. Com a calma de quem já caiu e se levantou mais forte, Ella segue, ensaiando, aprendendo e deixando que tudo encontre seu lugar — no tempo certo, no balanço certo, no compasso da sua caminhada.

Suzana Super Maravilhosa 

segunda-feira, 26 de maio de 2025

O silêncio escolhido por Ella

O Silêncio Escolhido de Ella

Ella sabia exatamente o que era o tempo. Não o das horas que correm no relógio, mas aquele tempo interno, que pulsa calmo ou frenético, conforme a alma permite. Diziam que ela vivia em ósseo — e diziam com um certo ar de crítica, como quem aponta o dedo para um descuido. Mas Ella sorria. Sabia que viver em ósseo não era ausência de ocupação, era presença de escolha.

Enquanto o mundo se atropelava em listas de tarefas, urgências inventadas e metas que jamais se esgotam, Ella acordava com o dia e decidia, com firmeza, o que não faria. Não correria para lugar nenhum. Não se perderia em promessas alheias. Não atenderia expectativas que não eram suas. E, assim, na aparente inércia, ela se movia para dentro.

Sentava-se na varanda, observava a luz atravessar as folhas, ouvia os sons que o ruído do cotidiano costuma abafar. Lia quando queria. Pensava quando sentia. Dormia se o corpo pedia. Ella fazia da quietude um abrigo, e do não-fazer, um ato revolucionário.

Não era preguiça — era sabedoria. Ella escolhia não se ocupar de tudo para poder se ocupar de si. E nesse mundo onde todos querem mais, ela, com delicadeza, queria menos. Menos pressa, menos barulho, menos cobrança. Porque, às vezes, viver em ósseo é justamente a maneira mais intensa de estar viva.

Ella sabia: o tempo, quando respeitado, devolve a leveza. E enquanto o mundo girava como louco, ela permanecia em sua ilha tranquila, onde o silêncio não é solidão, mas escolha.

Suzana Super Maravilhosa

sábado, 24 de maio de 2025

O melhor de envelhecer

O Melhor de Envelhecer

Ella ajeita os óculos sobre o nariz, cruza as pernas com elegância e solta um leve sorriso. Aos 59 anos, prestes a completar 60 em julho de 2025, ela já não precisa justificar tanto. Hoje, dizer não virou um exercício de amor-próprio. Um escudo de liberdade moldado com o tempo, com as dores que passou, com as noites mal dormidas por tentar agradar.

Na juventude, dizia “sim” para quase tudo: favores que a deixavam exausta, encontros que não queria ir, palavras engolidas para manter a paz. Mas a maturidade — essa mestra firme e generosa — ensinou Ella que cada não dito ao outro, muitas vezes, é um sim dito a si mesma.

— Ella, você pode assumir isso para mim?
— Hoje não. Preciso cuidar de mim.
E ela cuida. Do corpo, da alma, da paz.

Não é egoísmo. É autocuidado.
Não é desprezo. É respeito.

Envelhecer, para Ella, é ter a coragem de ser fiel ao que sente. É não pedir desculpas por escolher o silêncio em vez da festa, o descanso em vez do sacrifício. É saber que o tempo é precioso demais para ser entregue à culpa.

Ella aprendeu que o “não” pode ser dito com delicadeza e firmeza ao mesmo tempo. Que o não, é uma porta que se fecha para o mundo, mas se abre para dentro. E ali dentro mora alguém que ela finalmente aprendeu a amar: ela mesma.

Porque o melhor de envelhecer, Ella diz, com a voz tranquila de quem não deve mais nada a ninguém,
é a liberdade de dizer não — e não se sentir mal por isso.

Suzana Super Maravilhosa


Como a Águia

Crônica – Como a Águia
Por Suzana Super Maravilhosa

Quando Ella olha para trás, vê mais de meio século de história. Um caminho marcado por dias de sol e temporais intensos. Não dá para contar nos dedos quantas vezes se quebrou — foram muitas. Mas também foram muitas as vezes em que, com mãos trêmulas e fé firme, ela se restaurou.

Ella sabe: se foi feliz até aqui, se ainda é feliz agora, não é porque a vida foi leve. É porque, diante de cada dor, escolheu se refazer.

Ella se lembra da história da águia. Aquela que, quando a vida exige mudança, voa para o alto, se recolhe e, num processo doloroso, arranca as penas velhas, as unhas gastas, quebra o próprio bico contra a rocha… para depois renascer. E viver mais.

Foi assim com Ella também. Teve momentos em que precisou bater de frente com as próprias limitações. Teve dias em que precisou arrancar de si o que já não servia mais — ideias, medos, amarras.

E, em cada renascimento, descobria uma força nova. Não a força de quem nunca cai, mas de quem não tem medo de recomeçar.

Ella entendeu que viver é isso: permitir-se mudar, mesmo quando dói. É saber que ser feliz exige coragem. E que, como a águia, às vezes é preciso se desfazer para poder continuar a voar.

– Suzana Super Maravilhosa

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Todo dia um novo recomeço

Todo dia, um novo recomeço.

Acordo e respiro. Só isso já é milagre.
Deus, em Sua infinita bondade, me permite continuar escrevendo a minha história — uma página de cada vez, com erros, aprendizados, lágrimas e conquistas.

Houve momentos em que pensei que tudo terminaria ali.
A anestesia tomou meu corpo… e, por um instante, a morte pareceu me visitar.
Mas não era o fim. Era um chamado à vida.
Um lembrete de que ainda há caminhos a trilhar, sonhos a realizar, abraços a dar, palavras a dizer.

Estou viva!
E essa constatação tem o poder de transformar tudo ao meu redor.
A vida, mesmo entre dores e incertezas, é presente.
E eu escolho vivê-la com intensidade, com coragem, com fé.

Assino com a força de quem sobreviveu, com a graça de quem renasceu:
Suzana Super Maravilhosa — porque ser maravilhosa é resistir, continuar e florescer, mesmo depois da tempestade.


domingo, 18 de maio de 2025

Leite derramado

Leite Derramado


Ella sempre teve o dom de sorrir com os olhos, mesmo quando o coração chorava baixinho no escuro. Era dessas mulheres que ajeitam o lençol da cama antes de dormir como quem tenta esticar a própria vida, na esperança de desamassar as dores também.

Por fora, o casamento parecia uma fotografia antiga: um casal bem arrumado, lado a lado, segurando a moldura do que já foi amor. Por dentro, era uma casa onde as palavras moravam em quartos separados.

 Era preciso manter o roteiro da felicidade, ainda que os bastidores estivessem em ruínas. O bom-dia era automático e a risada que dava nas rodas de amigos era só para ninguém perguntar demais.

Ella fingia. Porque fingir é uma forma de resistência quando tudo desaba devagar. Fingir é, às vezes, a maneira mais silenciosa de gritar.

Mas chega um momento em que o leite derrama. E foi numa tarde comum, com cheiro de comida requentada e cansaço nos ombros, que o leite escorreu pela beirada da panela, pingando quente no fogão e na alma.

Não tentou limpar. Não correu para salvar a aparência. Apenas respirou fundo e disse em voz baixa, para ninguém ouvir — ou talvez para ouvir a si mesma:
“Leite derramado não se enxuga. A gente aprende a não deixar ferver demais da próxima vez.”

E naquele dia, pela primeira vez em anos, Ella não sorriu com os olhos. Mas também não fingiu. Decidida disse o que realmente queria para sua vida. E isso, para Ella, já era um começo.

Suzana Super Maravilhosa


Ella a protagonista

Ella, a protagonista

Ella nunca precisou de holofotes para saber que era a protagonista. Desde muito cedo, entendeu que o palco da vida não distingue grandes ou pequenos papéis. Cada passo que deu, cada palavra que calou, cada lágrima ou sorriso foi interpretado com a alma de quem sabe: o Autor da sua história não revela os próximos capítulos, mas escreve com exatidão os trechos que o coração dela pode suportar.

Viveu tragédias com a mesma entrega com que viveu comédias. Foi mãe, foi filha. Se chorou, também gargalhou. Se perdeu, também se achou — sobretudo dentro de si mesma. Descobriu que a emoção não está no que se vive, mas em como se vive. Ella viveu tudo com presença e gratidão.

Houve um tempo em que teve irmãos por perto, dividindo risos e silêncios. Mas a vida, com seu jeito sutil de separar páginas, colocou cada um em seu próprio quadrado, em caminhos que não mais se cruzam. Hoje, Ella se considera filha única — não por falta de laços, mas pela ausência de laços vivos no cotidiano.

Órfã de pai e mãe, aprendeu a transformar ausência em força e a fazer da saudade um canto manso que embala a alma. Na solitude que muitos evitam, Ella floresce. Ama sua própria companhia como quem dança sozinha numa sala vazia, sem plateia, sem ensaio, mas com entrega total.

Ella sabe: o espetáculo não termina enquanto há vida. E ela segue, cena após cena, com o coração aberto, vivendo intensamente o roteiro que a vida lhe dá.

Suzana Super Maravilhosa

E pode melhorar



E Pode Melhorar

Ella sempre acreditou que o melhor estava por vir. Não porque fosse ingênua, mas porque aprendeu a olhar a vida com olhos de esperança. Quando a goteira começava a pingar no canto da sala, ela não se desesperava — apenas procurava a vasilha mais próxima, colocava sob o fio d’água e sorria. "Está chovendo", pensava. E como tudo na vida, a chuva também passaria.

Se o calor queimava o rosto e fazia o ar pesar nos ombros, Ella lembrava: “É o sol, e o sol também sabe a hora de se recolher.” Quando o frio chegava, ela acolhia os casacos como velhos amigos e se preparava para mais uma dança com o tempo. Era assim, entre extremos, que ela via a beleza do mundo — como um ciclo que se fecha, apenas para recomeçar.

Ella não queria apenas existir. Queria ser útil. Queria passar por cada estação deixando rastros de luz e sementes de afeto. Sabia que estava de passagem, mas fazia questão de viver cada passo com intensidade. Não esperava pela calmaria para ser feliz — fazia da própria travessia o seu lugar de paz.

E entre uma goteira e outra, um calor e um frio, Ella seguia… grata, inteira, presente. Amava viver. E isso era o que a tornava extraordinária.

Suzana Super Maravilhosa

Ella é barro e água

 Ella é Barro e Água

Ella é barro. Não o barro endurecido, marcado por formas rígidas e definitivas, mas aquele que ainda aceita o toque do mundo, que se deixa transformar, que se molda conforme os dedos do tempo e os ventos da vida.

A cada dia, algo novo a toca. Uma palavra dita ao acaso, um olhar silencioso, uma despedida não esperada. E ela sente — ah, como sente — a pressão que esses momentos exercem. Mas não endurece. Ella não se fixa. Ao contrário, ela aprende, se ajusta, se refaz.

Há dias, porém, em que o barro some e Ella vira água. Água que escorre pelas frestas, que se infiltra nas rachaduras das horas, que flui. Água que se derrama quando transborda emoção e que, serena, se recolhe quando é preciso silêncio.

Não há contenção possível para Ella. Se tentam cercá-la, ela escapa. Se a tentam segurar, ela muda de estado. É líquida em essência, mas firme em direção. Não se deixa aprisionar em moldes alheios — ela se contorna, se reinventa, encontra novos caminhos.

Ella vive assim: entre a maleabilidade do barro e a liberdade da água. Uma alma que se transforma sem perder a essência. E que, apesar dos choques da vida, nunca deixa de seguir em frente — fluindo, sempre.

Suzana Super Maravilhosa 


O silêncio escolhido de Ella


O Silêncio Escolhido de Ella

Ella sabia exatamente o que era o tempo. Não o das horas que correm no relógio, mas aquele tempo interno, que pulsa calmo ou frenético, conforme a alma permite. Diziam que ela vivia em ósseo — e diziam com um certo ar de crítica, como quem aponta o dedo para um descuido. Mas Ella sorria. Sabia que viver em ósseo não era ausência de ocupação, era presença de escolha.

Enquanto o mundo se atropelava em listas de tarefas, urgências inventadas e metas que jamais se esgotam, Ella acordava com o dia e decidia, com firmeza, o que não faria. Não correria para lugar nenhum. Não se perderia em promessas alheias. Não atenderia expectativas que não eram suas. E, assim, na aparente inércia, ela se movia para dentro.

Sentava-se na varanda, observava a luz atravessar as folhas, ouvia os sons que o ruído do cotidiano costuma abafar. Lia quando queria. Pensava quando sentia. Dormia se o corpo pedia. Ella fazia da quietude um abrigo, e do não-fazer, um ato revolucionário.

Não, nao era preguiça — era sabedoria. Ella escolhia não se ocupar de tudo para poder se ocupar de si. E nesse mundo onde todos querem mais, ela, com delicadeza, queria menos. Menos pressa, menos barulho, menos cobrança. Porque, às vezes, viver em ósseo é justamente a maneira mais intensa de estar viva.

Por muitas vezes, ficar deitada por horas na rede, em seu quarto era tão sublime, pois era ali, no balançar da rede que Ella mergulhava em suas memórias de infância, nos momentos bons na casa da sua vó, sentia até o cheiro daquele feijão que só sua vó sabia fazer, e comer de mão era a melhor escolha. As vezes, mesmo sem querer os olhos vazavam, era lágrimas de saudades. Logo passava e Ella preferia sorrir pensando o quanto foi feliz naquele tempo e hoje ainda é, pois essa é sua escolha: ser feliz.

Ella sabia: o tempo, quando respeitado, devolve a leveza. E enquanto o mundo girava como louco, ela permanecia em sua ilha tranquila, onde o silêncio não é solidão, mas escolha.

Suzana Super Maravilhosa 

Ella se ama

Ella se ama

Ella assinava os dias com brilho próprio.
Não era vaidade — era natureza.
Nascida sob o Sol de Leão, aprendeu desde cedo que sua luz incomodava quem ainda não descobriu a própria.

Seu endereço era a Rua do Espelho, número 60, Bairro do Brilho — e não por acaso.
Era ali que ela se olhava com orgulho, enxergando não perfeição, mas coragem.
Se alguém perguntasse sua profissão, dizia: "Sou quem comanda."
E não mentia.

Tinha habilidade em ser farol.
Otimismo era seu perfume, e o bom gosto vinha de fábrica.
Sabia ser valente sem perder a doçura, leal sem se anular.
Era dessas que chega e muda o ar da sala, sem esforço — só sendo.

Formou-se em generosidade, mas guardava mágoas como quem arquiva cartas antigas: não relê, mas também não esquece.
Fez mestrado em autoconfiança, doutorado em ser original.
Nada nela era cópia. Tudo vinha de dentro — das dores bem vividas, dos amores bem superados.

Sua experiência profissional?
Comandava o próprio destino.
Tinha pouca paciência pra disfarces e nenhuma vontade de agradar quem não enxergava seu valor.
Autenticidade era seu crachá.

Ella era isso:
um incêndio de si mesma, com endereço certo e alma em fogo.
Quem a conhecia, sabia — ali morava uma mulher que se basta.

Suzana Super Maravilhosa 

Fácil, nunca foi.

Fácil, nunca foi 

Ella foi criada ouvindo que todos eram iguais. Que com esforço e dedicação, tudo era possível. Que bastava estudar, sorrir e ser educada. E ela tentou. Tentou muito.

*Fora criada com igualdade, quando o que queria — e precisava — era equidade.*

Com o tempo, percebeu que os caminhos prometidos não eram os mesmos. Ao buscar emprego, ouviu mais de uma vez que precisava ter “boa aparência”. Mas Ella sabia o que isso queria dizer. Estava ali, disfarçado: boa aparência era ter a pele clara, o cabelo alisado, o rosto dentro de um padrão que não era o dela.

*Ella tinha o conhecimento. Mas sendo preta, tudo ficava mais difícil.*

Não importava o quanto estudasse ou o quanto fosse competente. O olhar atravessado vinha antes do currículo. A dúvida vinha antes da escuta. A barreira vinha antes da oportunidade.

Foi quando ela cansou de correr de salto enquanto os outros corriam de tênis. Cansou de se ajustar, de se encolher, de se silenciar.

E disse:
“Não queira competir comigo com vantagem. Vem agora: os dois descalços. Ou os dois no salto alto.”

Ella não busca aplauso. Busca justiça.
Não quer favor. Quer respeito.

Porque ela é mulher. É preta. É capaz.
E pode estar — e permanecer — onde ela quiser.

Suzana Super Maravilhosa

Roteiro Divino

 Roteiro Divino

Ella nunca foi coadjuvante. Desde cedo, o palco da vida a chamou, e ela, sem tempo para ensaio, entrou em cena com coragem.

Chorou sem aplausos, sofreu em silêncio, enfrentou violências que nem sabia nomear. Foi criança e adulta ao mesmo tempo. Trabalhou cedo, porque a vida não esperou.

Foi manicure, trancista, cabeleireira, costureira. Vendeu geladinho na rua, vendeu lanche na praia, foi babá, lavadeira, passadeira, cozinheira. Vestiu mil personagens, todos com dignidade. Nunca se negou ao papel que a vida lhe convocava.

Ella fazia o que era preciso, mas nunca esqueceu quem era. Por dentro, ela sabia: era protagonista. E o roteiro da sua história não era aleatório.

O roteirista? Ah… Ele sempre esteve lá. Não no céu distante, mas no céu presente, dentro dela. Um Deus que escreve com ternura mesmo nas páginas mais duras. Que sussurra esperança mesmo quando a cena parece sem saída.

Ella ajudava os outros sempre que podia — porque sabia o valor de uma mão estendida. Não era só sobrevivente: era farol.

Hoje, olhando para trás, ela vê mais que dor. Vê superação. Vê propósito. Vê uma história escrita com suor, fé e coragem. E sabe: o final ainda está longe. Porque o roteirista que caminha com ela ainda tem muitos capítulos de vitória para escrever.

Ella é força que não se apaga. É luz que insiste. É história viva.

Suzana Super Maravilhosa



Os gritos

Os Gritos

Por Suzana Super Maravilhosa

Se não fosse a pandemia, Ella talvez estivesse agora com os pés mergulhados na areia da praia, um livro nas mãos e o mar como confidente. Sempre que a casa pesava, que o ar parecia rarear por dentro, ela pegava sua canga, sentava diante das ondas e deixava a alma respirar entre uma página e outra.

Mas a pandemia trancou o mundo. Trancou também as válvulas de escape.

Dentro de casa, o silêncio virou ruído. E no lugar de um abraço, veio um grito. Do marido. Depois, outro. Como se fosse natural, como se gritar fosse apenas uma forma de expressão, como se o pedido de perdão fosse exagero.

Ella ficou. Tentou compreender. Mas o que se revelou foi uma verdade difícil de ignorar: aquele homem, com quem dividira anos de vida, se achava no direito de ferir com a voz e seguir como se nada tivesse acontecido.

Não havia mais mar. Não havia mais fuga. Havia o lar, que já não era lar. E então Ella pegou a mala e foi ficar com a filha. Dois anos. Tempo suficiente para costurar os pedaços, respirar novos ares e descobrir a mulher que havia dentro dela — forte, inteira, pronta para não mais aceitar o inaceitável.

Quando voltou, o mundo já se curava. E ela também.

Ella compreendeu que, às vezes, um grito é mais do que um som. É uma fronteira. E que quem o solta sem remorso, sem reflexão, sem desculpa, está dizendo muito mais do que imagina.

Ela não era mais a mesma. E nunca mais seria.

Suzana Super Maravilhosa

Ella mulher preta e linda




Ella nasceu preta. Mulher preta. Preta e livre.
Desde o primeiro respiro, o mundo já sabia: vinha aí alguém que carregava em si a força de muitas. No seu DNA, a história das que vieram antes – mulheres que, mesmo caladas, gritavam em resistência. Mulheres de fibra, que com mãos calejadas e olhos atentos ensinaram a Ella o valor da gratidão. E ela aprendeu. Agradece em silêncio, todos os dias, por ser quem é.
Ella é, por vezes, chamada de louca. Talvez por falar alto, por sonhar demais, por não aceitar pouco. Mas nunca deixou de ser linda. Linda de um jeito que não cabe em moldes. Linda porque é inteira. Porque é verdade.
Ela aprendeu cedo que quem come banana é a boca – e a boca é dela. E se a boca é dela, é também seu o direito de dizer, de calar, de cantar, de desafiar. Ella é livre. Ella é louca. Ella é linda. Ella é luta.
Ella é dela. E só isso já a faz imensa.

Suzana Super Maravilhosa


sexta-feira, 16 de maio de 2025

Ella simplesmente vive

 Ella simplesmente vive

Nascer é um acontecimento. Viver, um risco. Envelhecer, ah… envelhecer é um privilégio. Ella sabe disso.

Já viveu mais de meio século e diz, com a voz tranquila de quem aprendeu muito: *“Ando devagar porque já tive pressa. Levo esse sorriso porque já chorei demais.”* É um verso que ela carrega como mantra, como bandeira de quem já atravessou tempestades e ainda sabe se encantar com o pôr do sol.

Hoje em dia, ela acorda sem pressa. Não há mais gritos infantis pela casa, nem lancheiras para preparar, nem sapatos perdidos debaixo da cama. Seus filhos já estão criados, e isso lhe dá uma liberdade nova, quase estranha. Uma liberdade com gosto de café coado e pão na chapa.

Ella vive como pode — e às vezes, como quer. Tem dias em que calça o tênis e sai para caminhar pelas ruas do bairro, sentindo o vento conversar com seu rosto. Mas há manhãs em que a cama é mais forte, especialmente se a chuva cai com aquele som que embala a alma. Nesses momentos, ela se enrola no cobertor como quem se protege do mundo, ou talvez como quem só quer sentir o conforto de estar consigo mesma.

Mas Ella também sabe se divertir. Quando a música chama, ela vai. Vai pra seresta, vai pra dança, vai pra vida. Sorri, canta, gira — feito moça recém-chegada aos 20 e poucos… só que não. Porque ela entendeu que a alegria não tem idade, tem vontade.

Ella aprendeu que os dias não são iguais. E tudo bem. Há dias de riso solto e outros de silêncio fundo. Mas todos eles, sem exceção, fazem parte do presente que é estar aqui. E estar aqui é, por si só, uma dádiva.

Ella vive no tempo dela, no ritmo do coração, no compasso da experiência. E se alguém perguntar, ela responde com convicção: hoje não precisa correr. 

Suzana Super Maravilhosa

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Redação ENEM 2024

A história tem nos mostrado que estamos caminhando, e, aos poucos, podemos perceber o legado deixado por gerações anteriores. Durante muito tempo, os ensinamentos buscavam folclorizar tudo o que fosse referente ao afro-brasileiro, transmitindo o conhecimento de forma estereotipada e desvalorizando seus costumes e crenças.

Hoje, podemos contemplar quanta beleza, conhecimento e capacidade existem nesse legado. Quantas histórias antes escondidas agora estão sendo reveladas por meio de personalidades afro-brasileiras! Por gerações, muitos se envergonharam de sua aparência; os cabelos crespos eram alisados para que a pessoa fosse aceita por uma sociedade em que "boa aparência" constava como exigência nos currículos. E, muitas vezes, essa expressão significava, de forma velada, não ser negro, já que a cor da pele era, silenciosamente, um critério de eliminação.

Pois bem, hoje podemos celebrar o protagonismo das pessoas pretas, com seus cabelos naturais sendo exibidos com liberdade, em penteados belíssimos e cheios de identidade. Os direitos humanos têm avançado, respeitando e defendendo, cada vez mais, o direito ao culto e às manifestações das religiões de matriz africana.

O racismo pode até ainda existir, mas não resistirá à evolução e à conscientização de que a história das heranças africanas continua em constante crescimento.

Suzana Oliveira da Silva


Se desejar, posso adaptar o texto para um vídeo, poema ou publicação em rede social.

A virada silenciosa



A virada silenciosa

Mudança não chega com convite formal.
A mudança vem sutil — um incômodo no peito, um cansaço disfarçado, um sonho que insiste em sussurrar.
A mudança se insinua nos detalhes, se oferece em pequenas escolhas: trocar o caminho, mudar o tom da conversa, dizer não ao que antes aceitava calada.

Mas, a mudança, exige coragem.
Coragem de sair do automático, de romper o ciclo que te mantém segura, mas infeliz.
Coragem de olhar para a zona de conforto e dizer: *"aqui já não me sirvo mais."*

A vida, em sua sabedoria silenciosa, clama por movimento.
Pede que se levante, mesmo com medo.
Que se erga, mesmo sem garantias.
Que se vá, mesmo sem saber o que vai encontrar.
Ella entendeu.
Sentiu o nó na garganta, respirou fundo… e deu o passo.
Um só.
Mas foi o suficiente para abrir novos ares, novas cores, novos ventos.
Porque mudar não é romper com tudo —
é começar, ainda que devagar, a se respeitar.

Suzana Super Maravilhosa

terça-feira, 13 de maio de 2025

Um dia qualquer de Ella



Um Dia Qualquer, de Ella

O dia de Ella começou tarde. E por que não? Era senhora de si, dona do próprio tempo – e quando se tem o tempo como aliado, dormir até mais tarde vira um gesto de liberdade.

À tarde, encontrou sua parceira de praia, de seresta e – por que não? – de caminhada também. As duas sempre prontas para viver o que o dia oferece, mesmo quando nada está planejado.

A missão era visitar uma kitnet. Pequena, simpática, cheia de possibilidades. Conversaram, imaginaram, riram. A amizade morava ali: no olhar cúmplice, nos sonhos compartilhados com leveza.

Depois da visita, o mar as chamou. E elas atenderam, como se fosse rotina visitar aquele imenso espelho de paz. Sentaram-se, contemplaram o vai e vem das ondas, deixaram o pensamento descansar.

Sem pressa, decidiram caminhar na orla. Passos calmos, conversa solta, risos surgindo como quem agradece o instante. A parada foi natural: uma barraca de água de coco. Sentaram, beberam devagar, saboreando a simplicidade de estar ali, vivas e inteiras.

“Não estava na programação”, comentou Ella com um sorriso. Mas o que é a vida senão aquilo que não se planeja e, ainda assim, faz todo sentido?

No fim, ela guardou o dia como quem coleciona tesouros. E sussurrou para si:

— Mais dias como hoje.
Ella. Sempre Ella.

Suzana Super Maravilhosa 

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Planejar é cuidar de si

Crônica: Planejar é Cuidar de Si

Ella estudou magistério. E se tem uma coisa que domina como ninguém, é o tal do planejamento. Entende de metas e rotinas como quem entende de amor — porque, para Ella, tudo que é feito com intenção e cuidado precisa ser pensado, organizado, vivido com propósito.

Agora, sua vida gira em torno de um novo capítulo: a chegada do neto. Previsão de nascimento? Junho. Coração em festa, malas quase prontas. Ella vai para Alagoinhas, para casa da filha, com a missão doce de ser rede de apoio. Vai passar o mês todo por lá, dividindo os dias entre fraldas, sonos curtos e descobertas de um novo amor que ainda nem chegou, mas já mora nela.

Mas engana-se quem pensa que Ella vai se anular. Porque quem cuida do outro também precisa cuidar de si. E disso, ela entende bem. Já traçou seu planejamento pós-nascimento: uma sexta por mês — de preferência com céu aberto e bem disposta — Ella vai para sua cidade se energizar. No sábado, quer seresta; no domingo, segunda e terça, quer mar e sol, banho de sal grosso e riso solto. Na quarta, retorna, renovada, para mais uma rodada de colinho, mamadeira e histórias de ninar.

E entre um mês e outro, um dia brilha mais: 26 de julho. Seu aniversário. Seus 60 anos. E também o Dia da Vovó. Ella já sabe onde quer estar: no shopping da sua cidade. Com amigas, se possível. Mas se não, sozinha mesmo — porque aprendeu a se bastar. Vai assistir ao evento que sempre tem, vai rir, dançar se puder, e se emocionar porque é assim que ela vive bem: celebrando cada detalhe, cada conquista, cada fase.

Ella vai apoiar a filha, claro. É mãe. Mas nunca vai se abandonar. Porque planejar é também um jeito de se amar.

Suzana Super Maravilhosa

O tempo de Ella


Crônica: O Tempo de Ella

Depois de uma certa idade, Ella descobriu que o tempo não corre — ele caminha. Às vezes, até senta para tomar um café. Aos 59 anos, ela já não vive pelas urgências que movem o mundo. Criou filhos, enfrentou tempestades, distribuiu abraços, suportou silêncios. E agora, enfim, se permite ser.

Ella dorme quando o corpo diz que é hora, acorda quando os olhos abrem devagar, sem despertador nem compromissos correndo atrás. Seu relógio é interno, sua agenda é o coração. Ela vai sem pressa para onde quer, e volta quando sente vontade. Já viveu a correria das manhãs de escola, das panelas no fogo, das contas no fim do mês. Hoje, ela vive o sabor do instante.

Não que a vida tenha ficado vazia. Ao contrário: agora está cheia — de pausas, de sossego, de música boa e do silêncio que ela aprendeu a ouvir. Ella dança na sala ao som do vento, ri sozinha com lembranças, veste o que quer e pinta os lábios se der vontade. Já chorou demais, já se cobrou demais.

Ella leva consigo o sorriso. Mas, por vê-la sorrindo, não julgue ser muito feliz — pois nem tudo que o coração sente é aquilo que a boca diz.

Ella não corre mais para provar nada a ninguém. Ela caminha, leve, porque já entendeu que o mais bonito da vida não está na chegada, mas no caminho.

Suzana Super Maravilhosa 

Casa cheia, coração cheio



Casa Cheia, Coração Cheio

O carnaval chegou trazendo com ele o som das risadas, o aroma de comidas feitas com carinho e o calor das presenças amadas. A casa de Ella, tão silenciosa em dias comuns, se encheu de vozes conhecidas. Filhos, neta, sobrinha — todos ali, como uma orquestra desajeitada porém afinada no amor. A mesa parecia pequena demais para tantos. Faltavam cadeiras, mas sobravam histórias.

Havia dias em que bastava acordar e já seguir direto para a praia. Voltavam apenas à noitinha, depois do pôr do sol tingir o céu de laranja e dourado. Tomaram chuva, riram molhados. E sempre traziam nos pés aquela areia fina, viva, que se espalhava pelo chão da casa. Mas essa sujeira não incomodava — representava a vida, a alegria, os dias cheios de calor e amor.

Como se não bastasse a aventura do mar, teve até um dia em que faltou água. E então começou o verdadeiro espetáculo: reaproveitar vasilhas, juntar a água da chuva, improvisar banhos rápidos. Em certo momento, Ella riu ao ver sua filha e sua neta saindo com toalhas na mão rumo à casa da comadre — pediram para tomar banho lá. Era o tipo de situação que, em outro tempo, causaria estresse. Mas ali, no caos gostoso dos afetos, virou motivo de riso e história para contar.

Na cozinha, risos entrecortavam o barulho das panelas. Na sala, um esperava o outro sair do banheiro, cada qual com seu tempo e seu jeito. A bagunça era viva. Era toalha molhada no sofá, era chinelo trocado, era criança correndo, era gente demais e espaço de menos. Era vida pulsando dentro das paredes que, dias antes, só conheciam os passos lentos de Ella.

Mas como tudo que é festa, também passou.

E então, a casa se esvaziou. O silêncio voltou como velho conhecido. Ella sentou-se na poltrona preferida com uma xícara de chá, olhou ao redor e sorriu. A desordem havia ido embora, mas algo bom havia ficado: a memória viva de um lar cheio de afeto. E na quietude que restava, ela reencontrou sua solitude. Não como ausência, mas como presença de si mesma.

Porque Ella sabe: há alegria na festa e há paz quando a festa termina. E ela sabe aproveitar as duas.

*Suzana Super Maravilhosa*


A Companhia de Ella

 A Companhia de Ella


De janeiro a dezembro, o calendário se enfeita com datas festivas — réveillon, Páscoa, São João, aniversários, Natal… Mas Ella, com sua alma serena e coração amadurecido pelo tempo, aprendeu que não é o calendário quem dita sua alegria.

Na madrugada do dia 31 de dezembro, enquanto fogos estouram e taças tilintam em tantos lares, Ella contempla o céu em silêncio. Se está com seus filhos, celebra com afeto e gratidão. Mas se o destino não os coloca ao seu lado, ela não se entristece. Pelo contrário, prepara um chá, e brinda à vida com sua companhia preferida: ela mesma.
E por muitas vezes deita antes do estourar dos fogos. E ali deitada ouvindo os fogos, faz sua oração de agradecimento por mais um ano que se inicia e adormece. No dia seguinte é só mais um dia com um novo calendário.

Solitude, para Ella, não é ausência, é presença. Presença de si. Ella não se sente só — sente-se inteira. Descobriu que há uma liberdade doce em escolher o silêncio quando o mundo grita festa. E entre uma data comemorativa e outra, vai colecionando instantes de paz, seja ao som de uma música suave, seja lendo algo que a inspire ou escrevendo mais uma poesia.

Sim, Ella já viveu outras fases, já esperou convites, já sentiu ausências. Mas hoje, ela prefere a leveza de estar bem consigo mesma. E se um dia os filhos chegam com sorriso e abraço, ela se alegra. Se não chegam, ela se abraça.

Porque a festa, para Ella, acontece dentro e acontece todos os dias.

Suzana Super Maravilhosa

domingo, 11 de maio de 2025

Cada qual no seu quadrado



Cada Qual no Seu Quadrado
Por Suzana Super Maravilhosa

Ella senta no sofá com o sol da tarde tocando o rosto. Não pensa nos filhos com mágoa, mas com uma espécie de aceitação que vem da maturidade. Aprendeu, com o tempo, que mãe não precisa saber tudo. Que há coisas que chegam, outras não, e tudo bem. Ela deixou de tentar controlar o que escapa pelas frestas da vida.

Aprendeu também que doar é escolha, não obrigação. E que há uma medida justa: doar sem se anular, amar sem invadir. Cada qual no seu quadrado, como ela costuma repetir, meio rindo, meio séria. Cada qual com seus problemas — e que os filhos aprendam a lidar com os deles.

Ella decidiu parar de mandar mensagens, de perguntar demais. Não por descaso, mas por uma clareza calma: são os filhos que precisam procurar os pais, não o contrário. Ela está aqui, inteira em sua presença, mas não à disposição de uma eternidade de cobranças.

Ela vive a vida um dia por vez. Não por resignação, mas por escolha. Descobriu o sabor de estar só sem estar vazia. Com *solitude*, mas *solidão*, jamais.

Na casa, a filha que mora com ela tem seu espaço respeitado. Ella é grata. A presença da filha é uma alegria tranquila, não uma dependência. São duas mulheres vivendo juntas, mas cada uma consigo mesma.

Ella sorri. O mundo não precisa saber o que ela sente, nem os filhos, nem ninguém. Basta que ela saiba — e isso já é muito.

*Suzana Super Maravilhosa*



sábado, 10 de maio de 2025

Bye Bye Bucho



Bye Bye Bucho

Ella estava contando os dias para o nascimento de seu segundo neto. Morava em Salvador, enquanto sua filha vivia em Alagoinhas. Era véspera do Dia das Mães, 10 de maio, e o pequeno estava previsto para chegar até 6 de junho — a qualquer momento o milagre poderia acontecer.

Sua filha lhe daria mais uma dádiva: o neto tão esperado. A primogênita de Ella, sua neta de 14 anos, estava radiante com a ideia de se tornar irmã mais velha. Era como se a família inteira estivesse prestes a renascer.

Naquela noite, Ella se permitiu uma última dança. Foi para a seresta com duas amigas queridas, decidida a celebrar. Chamou aquela despedida de **"Bye Bye Bucho"** — uma brincadeira carinhosa, como se ela mesma estivesse prestes a sair de licença-maternidade. Afinal, quando o neto nascesse, ela partiria para Alagoinhas para ser a rede de apoio de sua filha — sem data certa para retornar à sua vida de Senhora sem hora.

Sabia que sua rotina mudaria completamente. Não sabia quando voltaria a uma festa como aquela. Por isso, viveu cada instante com intensidade. Dançou com dançarinos profissionais que a tiraram para bailar, girou sozinha no salão com suas amigas e, no final da noite, entre risos e abraços, se despediram com um simples e incerto: **"até qualquer dia".**

Foi uma noite linda. Uma noite para guardar no coração — como um último sopro de liberdade antes de mergulhar no amor profundo da maternidade renovada, agora como avó em dose dupla.

Suzana Super Maravilhosa 💘

Vozes que ficam

 Vozes Que Ficam

No Dia das Mães, a saudade se transforma em palavras. Palavras que ficaram grudadas na memória dos filhos, ditas em meio à correria do dia a dia, nas refeições, nas broncas, nos carinhos disfarçados de rigidez. Frases que pareciam comuns, mas que, com o tempo, viraram tesouros.

Suzane lembra bem quando a mãe dizia: “Você não é todo mundo.” Era o fim da discussão e o início do entendimento de que cada um tem seu próprio caminho.

Priscila lembra de quando sua mãe dizia: " Sua batata tá assando sua neguinha" e ela logo procurava fazer as coisas certas.

Péricles ouvia da mãe, lá do fundo da casa: “Desça que a comida está pronta.” Era o sino do amor — quente, temperado e servido com afeto.

Lari nunca esqueceu o drama direto da mãe: “Quando eu morrer, não quero ninguém chorando no meu caixão.” E a gente sabia que por trás da bravura havia muito amor.

Joselice escutava, entre um susto e uma risada: “Vou te guardar para um sábado bem gordo.” Um sábado que nunca vinha, mas o medo vinha rapidinho.

A mãe dizia firme, com olhos que não deixavam dúvida: “Eu não vou falar de novo.” E bastava isso para o recado entrar.

Shirley ouviu muitas vezes da mãe, prática e decidida: “É o que tem pra hoje.” E a gente aprendia a valorizar o que tinha.

Dani se recorda da voz materna dizendo com urgência cotidiana: “Vai tirar o dinheiro da lotérica, Dani.” A rotina virava trilha sonora da infância.

Roberta escutava: “Ai, ai. Não vou falar de novo!” — mesmo que dissesse de novo, com o mesmo amor disfarçado de impaciência.

Ella nunca esqueceu da ameaça inusitada da mãe: “Vou cuspir no chão, viu?” — que deixava qualquer criança na linha.

Poliana traz na memória a frase da mãe: “Me esqueça, seu pai está em casa, vá pedir a ele.” Jogando com sabedoria a bola para o outro lado.

Jedidlia ouvia: “Cuidado quando seu pai chegar, vou dizer tudo pra ele...” — e era como se o tempo parasse até o pai chegar.

Ely lembra com admiração da sabedoria simples da mãe: “Um dia da caça, outro do caçador.” Vida ensinada com ditado popular.

Elisangela não esquece o aviso forte da mãe: “Vou te ensinar com quantos paus se faz uma canoa.” E o aprendizado era certo.

Lau tem gravado no peito a frase mais bonita de todas: “Eu te amo! Minha filha.”

E Janete, sempre que ouve seu nome, se lembra da mãe dizendo: “Janete, já pra dentro.” — e o mundo se ajeitava no lugar.

Essas frases ditas pelas mães viraram pilares da nossa história. Eram ditas entre panelas, roupas no varal, deveres da escola e noites mal dormidas. E, ainda assim, eram cheias de cuidado. São vozes que não se apagam — nem com o tempo, nem com a distância.

Feliz Dia das Mães a todas essas mulheres que, com frases curtas e corações gigantes, nos ensinaram tudo o que importa.

Com carinho,
Suzana Super Maravilhosa


sexta-feira, 9 de maio de 2025

Ella brilha



Ella brilha.

Ella gosta de teatro. Desde jovem, encantava-se com o som das cortinas se abrindo, com o cheiro da madeira do palco, com as luzes que aquecem mais do que iluminam. Já fez vários personagens — mocinhas, loucas, senhoras sábias, meninas sonhadoras. Cada um deixava nela um pouco de si, e levava um pouco dela também. Ella tem talento, isso salta aos olhos. E tem coragem — essa força silenciosa que faz alguém se lançar, mesmo com medo. O que lhe faltou, ao longo da vida, foi oportunidade.

E quando, raramente, a oportunidade batia à porta, era o tempo que faltava. Ou melhor: a permissão interna para abrir mão do cuidar do outro, mesmo que por um instante. Ella sempre cuidou. Cuidou dos filhos, do marido, da casa, dos pequenos detalhes que sustentam o dia. E, ao cuidar dos outros, foi deixando seus sonhos dormindo num canto da alma.

Lembra com clareza da vez em que foi convidada para viajar com seu grupo de teatro. Era uma chance rara. Mas seus três filhos ainda eram pequenos, e o casamento, um compromisso que exigia presença mais do que amor. Ela não foi. Engoliu a dor com dignidade, disfarçou com sorrisos, como toda boa atriz. E seguiu.

Mas Ella nunca deixou de sonhar. Escreve. Escreve muito. As palavras viraram suas falas, os cadernos, seus palcos. Ela acredita que, um dia, a sorte encontrará sua capacidade. E com ela virá a oportunidade certa, aquela que casa com o tempo e com o desejo.

Com mais de meio século de vida, Ella continua brilhando. Brilha no olhar, na escuta atenta, nas palavras que oferece ao mundo. Ainda deseja atuar — não apenas no palco de madeira, mas no palco maior, o da vida, onde ela já é e sempre foi protagonista.

Ella é atriz. Não apenas porque representa bem, mas porque vive com intensidade. Porque sente. Porque escolhe, todos os dias, continuar.
Ella é muitas. Mas, acima de tudo, Ella é única.
Ella é...


Suzana Super Maravilhosa.


Ela a protagonista



**Ela, a Protagonista**
*Por Suzana Super Maravilhosa*

Ella gosta de teatro. Já interpretou muitos personagens, mergulhou em vidas que não eram suas, mas que habitavam nela com intensidade e verdade. Ela tem talento, disso ninguém duvida. Tem coragem também — coragem de se expor, de sentir, de entregar-se ao palco. Mas o que sempre lhe faltou foram as oportunidades.

E, quando raramente a oportunidade aparecia, o que lhe faltava era tempo. Tempo e coragem para abrir mão do que mais a movia: o cuidado com os outros. Ella sempre cuidou. Cuidou dos filhos, do marido, da casa, da vida alheia. E, no meio de tudo isso, foi adiando o que era dela.

Houve um tempo em que fazia teatro com um grupo local. Foi convidada para viajar, para levar sua arte a outros públicos. Mas tinha três filhos pequenos, um casamento exigente e uma rotina que não permitia desvios. E ela, com o coração dividido, ficou. Porque naquele momento, cuidar do outro parecia mais urgente do que cuidar de si.

Ainda assim, Ella nunca perdeu a esperança. Ela acredita que a vida tem seus encontros marcados. E sonha com o dia em que a sorte encontrará sua capacidade, e juntas abrirão espaço para a oportunidade que, dessa vez, ela não deixará passar.

Com mais de meio século de vida, Ella escreve. Escreve com alma, com verdade, com saudade do palco. Mas ela sabe: ainda vai atuar novamente. No palco da vida, onde as luzes são mais intensas e o papel principal é só dela.

Ella brilha. Ella é atriz. E, mais que isso, Ella é — com todas as letras, com todas as pausas e vírgulas — a protagonista da sua própria história.
Suzana Super Maravilhosa 

Três meses de conversa e o cuidado

*Três Meses de Conversa e Cuidado*

Isa e Poli chegaram aos três meses de relação como quem cultiva um jardim com carinho: sem pressa, sem alarde, apenas presença e cuidado. Num tempo em que muitos se atropelam em palavras duras, elas escolheram conversar. E é por isso que florescem.

Três meses de conversa e cuidado. Enquanto outros contam brigas, elas colecionam diálogos. Em cada pequeno desentendimento, uma chance de se entender melhor. Em cada silêncio, um espaço de acolhimento. Amor, para elas, não é prova de fogo, é ponto de encontro.

*“Somos tão abertas ao diálogo e isso só é possível porque somos maduras e temos intenção de amar e cuidar. Além de termos limites e sabermos quando precisamos fazer mudanças necessárias. É incrível demais.”* – Isa

Parabéns, Isa e Poli, por esse início tão cheio de ternura. Que venham muitos outros meses – e que neles continue o tema: *“nós não briga, nós conversa."*

Com carinho da mãe, tia e sogra Suzana Super Maravilhosa 

mergulho que estava nos planos

**O Mergulho que Não Estava nos Planos**
*Por Mônica Paim – 17 de março de 2005*

Há dias em que o silêncio interno grita mais alto do que qualquer palavra. Eu, que sou de falar pelos cotovelos, me vi muda. Era dia de terapia — e eu precisava muito fazer algo diferente, algo que me lembrasse de mim mesma, da minha potência de provocar a própria felicidade.

Saí da sessão com esse desejo pulsando. Desci a Rua Chile em um diálogo mudo comigo mesma, mas a conversa fluía. Quando cheguei à Praça Municipal, fui atraída pela luz do fim de tarde. Peguei o celular e comecei a clicar. Fotografar sempre foi meu jeito de guardar o tempo. A luz. A mim.

Segui pelo caminho das cores e sons até o Pelourinho. Turista da minha própria cidade, tropecei em lembranças. A escola de dança ainda estava lá. O cheiro era o mesmo. Entrei sem saber por quê — ou talvez sabendo. Pesquisei os nomes dos professores e, como uma surpresa boa que a vida guarda em segredo, encontrei o nome dela: minha professora de dança contemporânea. Aquela que um dia me ensinou que dançar era um jeito de voar com os pés no chão.

Esperei por uma hora, coração aos pulos, como quem reencontra uma velha parte esquecida de si. Nos meus planos, eu ia ao mar. Fui preparada para mergulhar — corpo e alma — nas águas salgadas que renovam. Mas mergulhei foi na dança. E que mergulho!

O coração acelerado parecia querer escapar pela boca. Meu corpo suava frio, mas dentro de mim ardia uma chama. Cinco anos — ou mais — sem pisar naquele chão, sem ouvir aquela música com o corpo todo. Me entreguei. Chorei. Transbordei.

Senti a adrenalina como uma correnteza interna. Era como se meu corpo fosse leve demais para continuar preso ao chão. Flutuei. Saí de lá sem peso, sem tempo, sem dor. Saí de lá dançando por dentro.

A mudança de chave não veio com palavras, nem com planos. Veio com movimento. Veio com arte. Veio com verdade.

E naquele dia, eu descobri que, às vezes, para se encontrar, basta seguir o que faz o coração dançar.

O invisível que transforma

**O Invisível que Transforma**
*Por Mônica Paim*

Fé é daquelas coisas que não se pode ver, tocar ou medir. É um sentimento sutil, mas tão poderoso que move o impossível. Eu sinto, no fundo da alma, que tudo vai mudar. Que algo novo está por vir. Não sei explicar como sei… apenas sinto. E esse sentir vem em fragmentos: um sonho inesperado, uma música que toca o coração, um pensamento aleatório que pousa como sussurro divino.

Às vezes, confesso, penso que estou perdendo o juízo. É como se algo além de mim estivesse conduzindo meus passos. E, no entanto, com o tempo, percebo que tudo aquilo que parecia loucura era, na verdade, o prenúncio de uma transformação.

A vida tem dessas coisas: situações que nos escapam da lógica, momentos que fogem à explicação. E é aí que mora o mistério de Deus — ninguém consegue explicar. De onde Ele veio? Para onde vai? Só sabemos que Ele está. E está em tudo.

Em minhas reflexões, três lições têm se revelado com força:
*Uma palavra lançada.* Ela carrega o poder de construir ou destruir. Uma vez dita, não se recolhe.
*Uma flecha em curso.* Quando disparada, segue seu rumo — certeira ou não, não volta.
*Uma oportunidade perdida.* Às vezes ignoramos, achamos que não é nada, mas nas mãos de Deus até o que parece pequeno se transforma em recomeço.

Por isso, aprendi a pensar antes de falar, a não agir por impulso e, sobretudo, a valorizar as oportunidades, mesmo as que chegam disfarçadas de rotina. Porque Deus costuma agir no detalhe, no improvável, no silêncio.

E assim sigo, com a fé que não se vê, mas se sente. Com a certeza de que tudo tem um propósito. E com o coração aberto para o novo que vem.

 Mônica Paim

O eco da dor

O Eco da Dor

Ouvir dizer que o ferido fere, o magoado magoa. Confesso: achei que não fosse assim. Acreditei que a dor pudesse ensinar compaixão, e não vingança. Mas a vida, com sua lousa imprevisível, risca certezas e escreve verdades duras, daquelas que a gente prefere ignorar.

O que se vê por aí são respostas imediatas, gestos impensados, palavras afiadas saindo como espinhos da boca de quem, um dia, só queria flores. E o mais cruel de tudo é que nem sempre percebemos a dor que causamos no outro. Nos protegemos tanto, que o escudo se transforma em lança. A autodefesa, que deveria ser abrigo, vira arma. E atinge em cheio quem menos esperava.

É fácil apontar os que ferem. Difícil é ver que, muitas vezes, nós também o fazemos. Não por maldade, mas por medo. Medo de sofrer de novo, de se entregar, de confiar. E assim seguimos, repetindo um ciclo silencioso, onde as dores se ecoam, se confundem, se perpetuam.

Fica aqui um convite: antes de reagir, respire. Antes de julgar, olhe com ternura. E antes de ferir, lembre-se: todos nós carregamos cicatrizes. Algumas visíveis, outras nem tanto. Mas todas clamando, em silêncio, por um pouco mais de empatia.

*— Mônica Paim*

Oconsolo do Sonho



O Consolo do Sonho
*Por Suzana Super Maravilhosa*

Ella acordou ainda com os olhos úmidos e o coração sereno. Sonhara com sua mãe. E não era qualquer sonho — era daqueles que parecem visita. A mãe estava viva, linda, forte. Não como nos últimos dias em que a doença lhe tirou o peso e a vitalidade, mas como antes, quando ainda era a mulher de presença firme e mãos que sabiam tudo de cuidado.

Estavam na cozinha da primeira casa. Antes da reforma. Aquele espaço simples, com o armário embaixo da pia, guardava memórias que a vida adulta tentou cobrir, mas que o sonho desenterrou com precisão. A mãe experimentava uma saia, e Ella, com carinho, ajudava a ajeitá-la no corpo. Era como se, entre tecidos e gestos, ajeitassem também as saudades.

Já faz dez anos que sua mãe partiu desta dimensão. Mas no sonho, ela era tão real que Ella podia ouvir sua voz, doce e decidida, dizendo:
— *Quem boa romaria faz, em sua casa fica em paz.*

Naquele dia, Ella tinha um compromisso. Havia dito que iria, mas sabia que no lugar a que se dirigia havia pessoas falsas, ambiente carregado. E então entendeu o recado. Ficou mais tempo na cama, coberta não só pelo lençol, mas pela presença da mãe que, mesmo ausente, ainda a aconselha com firmeza e amor.

Levantou-se serena. Não precisava ir. Precisava ficar. Em casa. Em si. Em paz.

*Suzana Super Maravilhosa
09/05/25

terça-feira, 6 de maio de 2025

Fortaleza Silenciosa


Fortaleza Silenciosa

Ella sempre foi daquelas que se antecipam à tempestade. Sabia que a vida exige preparo e coragem — e, por isso, nunca esperou o amanhã chegar para agir. Aprendeu cedo que quem tem medo da chuva de amanhã, conserta o telhado hoje. E assim viveu.

Planejava o futuro com olhos firmes e pés no chão. Engravidou duas vezes — e dessas chegadas vieram três filhos: primeiro, uma menina; depois, quatro anos mais tarde, um casal de gêmeos. Foram gestações de risco. Ela convivia com miomas, mas jamais se deixou abater. Fez o resguardo com responsabilidade e enfrentou cada desafio com fé, pois sabia que a missão de ser mãe começava muito antes do parto.

Ella também compreendia que, para dar o melhor aos seus filhos, teria que se doar. Trabalhou incansavelmente, mesmo nas madrugadas. Era cabeleireira, manicure, trancista — e, acima de tudo, guerreira. Enquanto a cidade dormia, ela trançava cabelos e destinos. Esmaltava unhas e esperanças. Ajeitava cachos e sonhos.

Durante 34 anos teve um companheiro ao seu lado. Amou com profundidade, com entrega verdadeira. Mas Ella também sabia que amor não é prisão. Acreditava que casamento deve ser “até que a morte os separe” — mas não necessariamente a morte do corpo. Quando morrem o respeito, o carinho, o cuidado… a relação também chega ao fim. Foi assim que terminou a história de 34 anos. E ela soube se refazer.

Hoje, com mais de meio século de vida, Ella vive intensamente a sua solitude. Descobriu que estar só não é estar vazia. Pelo contrário: é estar cheia de si. Com os filhos crescidos, a alma em paz e a coragem de quem já venceu muitas batalhas, ela segue caminhando com dignidade e alegria.

Para Ella, nunca foi sorte. Sempre foi luta. Sempre foi fé. Sempre foi ela — forte, sensível, determinada.

Porque ela entendeu, desde sempre, que quem teme a chuva de amanhã, fortalece o telhado hoje.

Texto de Suzana Super Maravilhosa

sábado, 3 de maio de 2025

Ella vence um dia por vez


ELLA não chegou ao mundo — ela foi lançada. Chorou alto, não apenas por fome ou frio, mas como quem já pressentia o peso da existência. Desde cedo, aprendeu a calar dores e a disfarçar tombos com risos. Seus joelhos ralados não doíam tanto quanto as perdas invisíveis que já começavam a se anunciar.

A vida, para ELLA, sempre teve gosto de batalha. De longe, parecia calma. De perto, era feita de silêncios gritantes, noites sem sono e perguntas sem resposta. Mas havia nela uma força que ninguém ensinou — talvez herdada das estrelas, talvez soprada por alguma ancestral silenciosa.

Com o tempo, ELLA entendeu que há dores que não se superam — apenas se atravessam. E, em muitas dessas travessias, ela renascia. Como Fênix, recolhia suas cinzas, soprava sobre elas e se erguia. Queimada, sim — mas viva. Sempre viva.

Em outras vezes, ELLA se fazia águia. Voava para dentro de si, escondia-se no mais alto de sua alma. Lá, longe dos olhos do mundo, rasgava o que já não servia: arrancava penas antigas, unhas cansadas, o bico já curvado pelo tempo. Doía. Mas era preciso. Porque renascer, para ELLA, nunca foi escolha — foi destino.

A guerra ainda a ronda. Mas ELLA já não teme. Porque aprendeu que em cada perda há um pedaço de renascimento, e que dentro de si mora um universo inteiro de recomeços. ELLA é cicatriz e flor. É silêncio e trovão. É força delicada que não se vê — mas que jamais se quebra.

Com ternura e verdade,
Suzana Super Maravilhosa