GOSTO DE ESCREVER. SIMPLESMENTE ESCREVER. PEGAR OS MEUS ESCRITOS DE MUITO TEMPO ATRÁS E COLOCAR AQUI. MEU DIÁRIO, MINHAS POESIAS, MINHAS ABOBRINHAS, MINHAS PAIXÕES, MINHAS ILUSÕES. FUI CRIANÇA, ADOLESCENTE, JOVEM E HOJE SOU UMA SENHORA MAIS SEMPRE MULHER OU SEMPRE MENINA. UMA MENINA QUE ENVELHECE GOSTANDO DE ESCREVER. ESCREVER É O MEU PRAZER.
quarta-feira, 28 de maio de 2025
Ella e o caminho da melamcias
segunda-feira, 26 de maio de 2025
O silêncio escolhido por Ella
O Silêncio Escolhido de Ella
Ella sabia exatamente o que era o tempo. Não o das horas que correm no relógio, mas aquele tempo interno, que pulsa calmo ou frenético, conforme a alma permite. Diziam que ela vivia em ósseo — e diziam com um certo ar de crítica, como quem aponta o dedo para um descuido. Mas Ella sorria. Sabia que viver em ósseo não era ausência de ocupação, era presença de escolha.
Enquanto o mundo se atropelava em listas de tarefas, urgências inventadas e metas que jamais se esgotam, Ella acordava com o dia e decidia, com firmeza, o que não faria. Não correria para lugar nenhum. Não se perderia em promessas alheias. Não atenderia expectativas que não eram suas. E, assim, na aparente inércia, ela se movia para dentro.
Sentava-se na varanda, observava a luz atravessar as folhas, ouvia os sons que o ruído do cotidiano costuma abafar. Lia quando queria. Pensava quando sentia. Dormia se o corpo pedia. Ella fazia da quietude um abrigo, e do não-fazer, um ato revolucionário.
Não era preguiça — era sabedoria. Ella escolhia não se ocupar de tudo para poder se ocupar de si. E nesse mundo onde todos querem mais, ela, com delicadeza, queria menos. Menos pressa, menos barulho, menos cobrança. Porque, às vezes, viver em ósseo é justamente a maneira mais intensa de estar viva.
Ella sabia: o tempo, quando respeitado, devolve a leveza. E enquanto o mundo girava como louco, ela permanecia em sua ilha tranquila, onde o silêncio não é solidão, mas escolha.
Suzana Super Maravilhosa
sábado, 24 de maio de 2025
O melhor de envelhecer
O Melhor de Envelhecer
Ella ajeita os óculos sobre o nariz, cruza as pernas com elegância e solta um leve sorriso. Aos 59 anos, prestes a completar 60 em julho de 2025, ela já não precisa justificar tanto. Hoje, dizer não virou um exercício de amor-próprio. Um escudo de liberdade moldado com o tempo, com as dores que passou, com as noites mal dormidas por tentar agradar.
Na juventude, dizia “sim” para quase tudo: favores que a deixavam exausta, encontros que não queria ir, palavras engolidas para manter a paz. Mas a maturidade — essa mestra firme e generosa — ensinou Ella que cada não dito ao outro, muitas vezes, é um sim dito a si mesma.
— Ella, você pode assumir isso para mim?
— Hoje não. Preciso cuidar de mim.
E ela cuida. Do corpo, da alma, da paz.
Não é egoísmo. É autocuidado.
Não é desprezo. É respeito.
Envelhecer, para Ella, é ter a coragem de ser fiel ao que sente. É não pedir desculpas por escolher o silêncio em vez da festa, o descanso em vez do sacrifício. É saber que o tempo é precioso demais para ser entregue à culpa.
Ella aprendeu que o “não” pode ser dito com delicadeza e firmeza ao mesmo tempo. Que o não, é uma porta que se fecha para o mundo, mas se abre para dentro. E ali dentro mora alguém que ela finalmente aprendeu a amar: ela mesma.
Porque o melhor de envelhecer, Ella diz, com a voz tranquila de quem não deve mais nada a ninguém,
é a liberdade de dizer não — e não se sentir mal por isso.
Suzana Super Maravilhosa
Como a Águia
Crônica – Como a Águia
Por Suzana Super Maravilhosa
Quando Ella olha para trás, vê mais de meio século de história. Um caminho marcado por dias de sol e temporais intensos. Não dá para contar nos dedos quantas vezes se quebrou — foram muitas. Mas também foram muitas as vezes em que, com mãos trêmulas e fé firme, ela se restaurou.
Ella sabe: se foi feliz até aqui, se ainda é feliz agora, não é porque a vida foi leve. É porque, diante de cada dor, escolheu se refazer.
Ella se lembra da história da águia. Aquela que, quando a vida exige mudança, voa para o alto, se recolhe e, num processo doloroso, arranca as penas velhas, as unhas gastas, quebra o próprio bico contra a rocha… para depois renascer. E viver mais.
Foi assim com Ella também. Teve momentos em que precisou bater de frente com as próprias limitações. Teve dias em que precisou arrancar de si o que já não servia mais — ideias, medos, amarras.
E, em cada renascimento, descobria uma força nova. Não a força de quem nunca cai, mas de quem não tem medo de recomeçar.
Ella entendeu que viver é isso: permitir-se mudar, mesmo quando dói. É saber que ser feliz exige coragem. E que, como a águia, às vezes é preciso se desfazer para poder continuar a voar.
– Suzana Super Maravilhosa
sexta-feira, 23 de maio de 2025
Todo dia um novo recomeço
Todo dia, um novo recomeço.
Acordo e respiro. Só isso já é milagre.
Deus, em Sua infinita bondade, me permite continuar escrevendo a minha história — uma página de cada vez, com erros, aprendizados, lágrimas e conquistas.
Houve momentos em que pensei que tudo terminaria ali.
A anestesia tomou meu corpo… e, por um instante, a morte pareceu me visitar.
Mas não era o fim. Era um chamado à vida.
Um lembrete de que ainda há caminhos a trilhar, sonhos a realizar, abraços a dar, palavras a dizer.
Estou viva!
E essa constatação tem o poder de transformar tudo ao meu redor.
A vida, mesmo entre dores e incertezas, é presente.
E eu escolho vivê-la com intensidade, com coragem, com fé.
Assino com a força de quem sobreviveu, com a graça de quem renasceu:
Suzana Super Maravilhosa — porque ser maravilhosa é resistir, continuar e florescer, mesmo depois da tempestade.
domingo, 18 de maio de 2025
Leite derramado
Leite Derramado
Ella sempre teve o dom de sorrir com os olhos, mesmo quando o coração chorava baixinho no escuro. Era dessas mulheres que ajeitam o lençol da cama antes de dormir como quem tenta esticar a própria vida, na esperança de desamassar as dores também.
Por fora, o casamento parecia uma fotografia antiga: um casal bem arrumado, lado a lado, segurando a moldura do que já foi amor. Por dentro, era uma casa onde as palavras moravam em quartos separados.
Era preciso manter o roteiro da felicidade, ainda que os bastidores estivessem em ruínas. O bom-dia era automático e a risada que dava nas rodas de amigos era só para ninguém perguntar demais.
Ella fingia. Porque fingir é uma forma de resistência quando tudo desaba devagar. Fingir é, às vezes, a maneira mais silenciosa de gritar.
Mas chega um momento em que o leite derrama. E foi numa tarde comum, com cheiro de comida requentada e cansaço nos ombros, que o leite escorreu pela beirada da panela, pingando quente no fogão e na alma.
Não tentou limpar. Não correu para salvar a aparência. Apenas respirou fundo e disse em voz baixa, para ninguém ouvir — ou talvez para ouvir a si mesma:
“Leite derramado não se enxuga. A gente aprende a não deixar ferver demais da próxima vez.”
E naquele dia, pela primeira vez em anos, Ella não sorriu com os olhos. Mas também não fingiu. Decidida disse o que realmente queria para sua vida. E isso, para Ella, já era um começo.
Suzana Super Maravilhosa
Ella a protagonista
Ella, a protagonista
Ella nunca precisou de holofotes para saber que era a protagonista. Desde muito cedo, entendeu que o palco da vida não distingue grandes ou pequenos papéis. Cada passo que deu, cada palavra que calou, cada lágrima ou sorriso foi interpretado com a alma de quem sabe: o Autor da sua história não revela os próximos capítulos, mas escreve com exatidão os trechos que o coração dela pode suportar.
Viveu tragédias com a mesma entrega com que viveu comédias. Foi mãe, foi filha. Se chorou, também gargalhou. Se perdeu, também se achou — sobretudo dentro de si mesma. Descobriu que a emoção não está no que se vive, mas em como se vive. Ella viveu tudo com presença e gratidão.
Houve um tempo em que teve irmãos por perto, dividindo risos e silêncios. Mas a vida, com seu jeito sutil de separar páginas, colocou cada um em seu próprio quadrado, em caminhos que não mais se cruzam. Hoje, Ella se considera filha única — não por falta de laços, mas pela ausência de laços vivos no cotidiano.
Órfã de pai e mãe, aprendeu a transformar ausência em força e a fazer da saudade um canto manso que embala a alma. Na solitude que muitos evitam, Ella floresce. Ama sua própria companhia como quem dança sozinha numa sala vazia, sem plateia, sem ensaio, mas com entrega total.
Ella sabe: o espetáculo não termina enquanto há vida. E ela segue, cena após cena, com o coração aberto, vivendo intensamente o roteiro que a vida lhe dá.
Suzana Super Maravilhosa
E pode melhorar
Ella é barro e água
O silêncio escolhido de Ella
O Silêncio Escolhido de Ella
Ella sabia exatamente o que era o tempo. Não o das horas que correm no relógio, mas aquele tempo interno, que pulsa calmo ou frenético, conforme a alma permite. Diziam que ela vivia em ósseo — e diziam com um certo ar de crítica, como quem aponta o dedo para um descuido. Mas Ella sorria. Sabia que viver em ósseo não era ausência de ocupação, era presença de escolha.
Enquanto o mundo se atropelava em listas de tarefas, urgências inventadas e metas que jamais se esgotam, Ella acordava com o dia e decidia, com firmeza, o que não faria. Não correria para lugar nenhum. Não se perderia em promessas alheias. Não atenderia expectativas que não eram suas. E, assim, na aparente inércia, ela se movia para dentro.
Sentava-se na varanda, observava a luz atravessar as folhas, ouvia os sons que o ruído do cotidiano costuma abafar. Lia quando queria. Pensava quando sentia. Dormia se o corpo pedia. Ella fazia da quietude um abrigo, e do não-fazer, um ato revolucionário.
Não, nao era preguiça — era sabedoria. Ella escolhia não se ocupar de tudo para poder se ocupar de si. E nesse mundo onde todos querem mais, ela, com delicadeza, queria menos. Menos pressa, menos barulho, menos cobrança. Porque, às vezes, viver em ósseo é justamente a maneira mais intensa de estar viva.
Por muitas vezes, ficar deitada por horas na rede, em seu quarto era tão sublime, pois era ali, no balançar da rede que Ella mergulhava em suas memórias de infância, nos momentos bons na casa da sua vó, sentia até o cheiro daquele feijão que só sua vó sabia fazer, e comer de mão era a melhor escolha. As vezes, mesmo sem querer os olhos vazavam, era lágrimas de saudades. Logo passava e Ella preferia sorrir pensando o quanto foi feliz naquele tempo e hoje ainda é, pois essa é sua escolha: ser feliz.
Ella sabia: o tempo, quando respeitado, devolve a leveza. E enquanto o mundo girava como louco, ela permanecia em sua ilha tranquila, onde o silêncio não é solidão, mas escolha.
Suzana Super Maravilhosa
Ella se ama
Fácil, nunca foi.
Roteiro Divino
Os gritos
Os Gritos
Por Suzana Super Maravilhosa
Se não fosse a pandemia, Ella talvez estivesse agora com os pés mergulhados na areia da praia, um livro nas mãos e o mar como confidente. Sempre que a casa pesava, que o ar parecia rarear por dentro, ela pegava sua canga, sentava diante das ondas e deixava a alma respirar entre uma página e outra.
Mas a pandemia trancou o mundo. Trancou também as válvulas de escape.
Dentro de casa, o silêncio virou ruído. E no lugar de um abraço, veio um grito. Do marido. Depois, outro. Como se fosse natural, como se gritar fosse apenas uma forma de expressão, como se o pedido de perdão fosse exagero.
Ella ficou. Tentou compreender. Mas o que se revelou foi uma verdade difícil de ignorar: aquele homem, com quem dividira anos de vida, se achava no direito de ferir com a voz e seguir como se nada tivesse acontecido.
Não havia mais mar. Não havia mais fuga. Havia o lar, que já não era lar. E então Ella pegou a mala e foi ficar com a filha. Dois anos. Tempo suficiente para costurar os pedaços, respirar novos ares e descobrir a mulher que havia dentro dela — forte, inteira, pronta para não mais aceitar o inaceitável.
Quando voltou, o mundo já se curava. E ela também.
Ella compreendeu que, às vezes, um grito é mais do que um som. É uma fronteira. E que quem o solta sem remorso, sem reflexão, sem desculpa, está dizendo muito mais do que imagina.
Ela não era mais a mesma. E nunca mais seria.
Suzana Super Maravilhosa
Ella mulher preta e linda
sexta-feira, 16 de maio de 2025
Ella simplesmente vive
quarta-feira, 14 de maio de 2025
Redação ENEM 2024
A história tem nos mostrado que estamos caminhando, e, aos poucos, podemos perceber o legado deixado por gerações anteriores. Durante muito tempo, os ensinamentos buscavam folclorizar tudo o que fosse referente ao afro-brasileiro, transmitindo o conhecimento de forma estereotipada e desvalorizando seus costumes e crenças.
Hoje, podemos contemplar quanta beleza, conhecimento e capacidade existem nesse legado. Quantas histórias antes escondidas agora estão sendo reveladas por meio de personalidades afro-brasileiras! Por gerações, muitos se envergonharam de sua aparência; os cabelos crespos eram alisados para que a pessoa fosse aceita por uma sociedade em que "boa aparência" constava como exigência nos currículos. E, muitas vezes, essa expressão significava, de forma velada, não ser negro, já que a cor da pele era, silenciosamente, um critério de eliminação.
Pois bem, hoje podemos celebrar o protagonismo das pessoas pretas, com seus cabelos naturais sendo exibidos com liberdade, em penteados belíssimos e cheios de identidade. Os direitos humanos têm avançado, respeitando e defendendo, cada vez mais, o direito ao culto e às manifestações das religiões de matriz africana.
O racismo pode até ainda existir, mas não resistirá à evolução e à conscientização de que a história das heranças africanas continua em constante crescimento.
Suzana Oliveira da Silva
Se desejar, posso adaptar o texto para um vídeo, poema ou publicação em rede social.
A virada silenciosa
terça-feira, 13 de maio de 2025
Um dia qualquer de Ella
segunda-feira, 12 de maio de 2025
Planejar é cuidar de si
O tempo de Ella
Crônica: O Tempo de Ella
Depois de uma certa idade, Ella descobriu que o tempo não corre — ele caminha. Às vezes, até senta para tomar um café. Aos 59 anos, ela já não vive pelas urgências que movem o mundo. Criou filhos, enfrentou tempestades, distribuiu abraços, suportou silêncios. E agora, enfim, se permite ser.
Ella dorme quando o corpo diz que é hora, acorda quando os olhos abrem devagar, sem despertador nem compromissos correndo atrás. Seu relógio é interno, sua agenda é o coração. Ela vai sem pressa para onde quer, e volta quando sente vontade. Já viveu a correria das manhãs de escola, das panelas no fogo, das contas no fim do mês. Hoje, ela vive o sabor do instante.
Não que a vida tenha ficado vazia. Ao contrário: agora está cheia — de pausas, de sossego, de música boa e do silêncio que ela aprendeu a ouvir. Ella dança na sala ao som do vento, ri sozinha com lembranças, veste o que quer e pinta os lábios se der vontade. Já chorou demais, já se cobrou demais.
Ella leva consigo o sorriso. Mas, por vê-la sorrindo, não julgue ser muito feliz — pois nem tudo que o coração sente é aquilo que a boca diz.
Ella não corre mais para provar nada a ninguém. Ela caminha, leve, porque já entendeu que o mais bonito da vida não está na chegada, mas no caminho.
Suzana Super Maravilhosa
Casa cheia, coração cheio
A Companhia de Ella
domingo, 11 de maio de 2025
Cada qual no seu quadrado
sábado, 10 de maio de 2025
Bye Bye Bucho
Vozes que ficam
Vozes Que Ficam
No Dia das Mães, a saudade se transforma em palavras. Palavras que ficaram grudadas na memória dos filhos, ditas em meio à correria do dia a dia, nas refeições, nas broncas, nos carinhos disfarçados de rigidez. Frases que pareciam comuns, mas que, com o tempo, viraram tesouros.
Suzane lembra bem quando a mãe dizia: “Você não é todo mundo.” Era o fim da discussão e o início do entendimento de que cada um tem seu próprio caminho.
Priscila lembra de quando sua mãe dizia: " Sua batata tá assando sua neguinha" e ela logo procurava fazer as coisas certas.
Péricles ouvia da mãe, lá do fundo da casa: “Desça que a comida está pronta.” Era o sino do amor — quente, temperado e servido com afeto.
Lari nunca esqueceu o drama direto da mãe: “Quando eu morrer, não quero ninguém chorando no meu caixão.” E a gente sabia que por trás da bravura havia muito amor.
Joselice escutava, entre um susto e uma risada: “Vou te guardar para um sábado bem gordo.” Um sábado que nunca vinha, mas o medo vinha rapidinho.
A mãe dizia firme, com olhos que não deixavam dúvida: “Eu não vou falar de novo.” E bastava isso para o recado entrar.
Shirley ouviu muitas vezes da mãe, prática e decidida: “É o que tem pra hoje.” E a gente aprendia a valorizar o que tinha.
Dani se recorda da voz materna dizendo com urgência cotidiana: “Vai tirar o dinheiro da lotérica, Dani.” A rotina virava trilha sonora da infância.
Roberta escutava: “Ai, ai. Não vou falar de novo!” — mesmo que dissesse de novo, com o mesmo amor disfarçado de impaciência.
Ella nunca esqueceu da ameaça inusitada da mãe: “Vou cuspir no chão, viu?” — que deixava qualquer criança na linha.
Poliana traz na memória a frase da mãe: “Me esqueça, seu pai está em casa, vá pedir a ele.” Jogando com sabedoria a bola para o outro lado.
Jedidlia ouvia: “Cuidado quando seu pai chegar, vou dizer tudo pra ele...” — e era como se o tempo parasse até o pai chegar.
Ely lembra com admiração da sabedoria simples da mãe: “Um dia da caça, outro do caçador.” Vida ensinada com ditado popular.
Elisangela não esquece o aviso forte da mãe: “Vou te ensinar com quantos paus se faz uma canoa.” E o aprendizado era certo.
Lau tem gravado no peito a frase mais bonita de todas: “Eu te amo! Minha filha.”
E Janete, sempre que ouve seu nome, se lembra da mãe dizendo: “Janete, já pra dentro.” — e o mundo se ajeitava no lugar.
Essas frases ditas pelas mães viraram pilares da nossa história. Eram ditas entre panelas, roupas no varal, deveres da escola e noites mal dormidas. E, ainda assim, eram cheias de cuidado. São vozes que não se apagam — nem com o tempo, nem com a distância.
Feliz Dia das Mães a todas essas mulheres que, com frases curtas e corações gigantes, nos ensinaram tudo o que importa.
Com carinho,
Suzana Super Maravilhosa
sexta-feira, 9 de maio de 2025
Ella brilha
Ela a protagonista
Três meses de conversa e o cuidado
mergulho que estava nos planos
O invisível que transforma
O eco da dor
Oconsolo do Sonho
terça-feira, 6 de maio de 2025
Fortaleza Silenciosa
Fortaleza Silenciosa
Ella sempre foi daquelas que se antecipam à tempestade. Sabia que a vida exige preparo e coragem — e, por isso, nunca esperou o amanhã chegar para agir. Aprendeu cedo que quem tem medo da chuva de amanhã, conserta o telhado hoje. E assim viveu.
Planejava o futuro com olhos firmes e pés no chão. Engravidou duas vezes — e dessas chegadas vieram três filhos: primeiro, uma menina; depois, quatro anos mais tarde, um casal de gêmeos. Foram gestações de risco. Ela convivia com miomas, mas jamais se deixou abater. Fez o resguardo com responsabilidade e enfrentou cada desafio com fé, pois sabia que a missão de ser mãe começava muito antes do parto.
Ella também compreendia que, para dar o melhor aos seus filhos, teria que se doar. Trabalhou incansavelmente, mesmo nas madrugadas. Era cabeleireira, manicure, trancista — e, acima de tudo, guerreira. Enquanto a cidade dormia, ela trançava cabelos e destinos. Esmaltava unhas e esperanças. Ajeitava cachos e sonhos.
Durante 34 anos teve um companheiro ao seu lado. Amou com profundidade, com entrega verdadeira. Mas Ella também sabia que amor não é prisão. Acreditava que casamento deve ser “até que a morte os separe” — mas não necessariamente a morte do corpo. Quando morrem o respeito, o carinho, o cuidado… a relação também chega ao fim. Foi assim que terminou a história de 34 anos. E ela soube se refazer.
Hoje, com mais de meio século de vida, Ella vive intensamente a sua solitude. Descobriu que estar só não é estar vazia. Pelo contrário: é estar cheia de si. Com os filhos crescidos, a alma em paz e a coragem de quem já venceu muitas batalhas, ela segue caminhando com dignidade e alegria.
Para Ella, nunca foi sorte. Sempre foi luta. Sempre foi fé. Sempre foi ela — forte, sensível, determinada.
Porque ela entendeu, desde sempre, que quem teme a chuva de amanhã, fortalece o telhado hoje.
Texto de Suzana Super Maravilhosa
sábado, 3 de maio de 2025
Ella vence um dia por vez
ELLA não chegou ao mundo — ela foi lançada. Chorou alto, não apenas por fome ou frio, mas como quem já pressentia o peso da existência. Desde cedo, aprendeu a calar dores e a disfarçar tombos com risos. Seus joelhos ralados não doíam tanto quanto as perdas invisíveis que já começavam a se anunciar.
A vida, para ELLA, sempre teve gosto de batalha. De longe, parecia calma. De perto, era feita de silêncios gritantes, noites sem sono e perguntas sem resposta. Mas havia nela uma força que ninguém ensinou — talvez herdada das estrelas, talvez soprada por alguma ancestral silenciosa.
Com o tempo, ELLA entendeu que há dores que não se superam — apenas se atravessam. E, em muitas dessas travessias, ela renascia. Como Fênix, recolhia suas cinzas, soprava sobre elas e se erguia. Queimada, sim — mas viva. Sempre viva.
Em outras vezes, ELLA se fazia águia. Voava para dentro de si, escondia-se no mais alto de sua alma. Lá, longe dos olhos do mundo, rasgava o que já não servia: arrancava penas antigas, unhas cansadas, o bico já curvado pelo tempo. Doía. Mas era preciso. Porque renascer, para ELLA, nunca foi escolha — foi destino.
A guerra ainda a ronda. Mas ELLA já não teme. Porque aprendeu que em cada perda há um pedaço de renascimento, e que dentro de si mora um universo inteiro de recomeços. ELLA é cicatriz e flor. É silêncio e trovão. É força delicada que não se vê — mas que jamais se quebra.
Com ternura e verdade,
Suzana Super Maravilhosa