O Consolo do Sonho
*Por Suzana Super Maravilhosa*
Ella acordou ainda com os olhos úmidos e o coração sereno. Sonhara com sua mãe. E não era qualquer sonho — era daqueles que parecem visita. A mãe estava viva, linda, forte. Não como nos últimos dias em que a doença lhe tirou o peso e a vitalidade, mas como antes, quando ainda era a mulher de presença firme e mãos que sabiam tudo de cuidado.
Estavam na cozinha da primeira casa. Antes da reforma. Aquele espaço simples, com o armário embaixo da pia, guardava memórias que a vida adulta tentou cobrir, mas que o sonho desenterrou com precisão. A mãe experimentava uma saia, e Ella, com carinho, ajudava a ajeitá-la no corpo. Era como se, entre tecidos e gestos, ajeitassem também as saudades.
Já faz dez anos que sua mãe partiu desta dimensão. Mas no sonho, ela era tão real que Ella podia ouvir sua voz, doce e decidida, dizendo:
— *Quem boa romaria faz, em sua casa fica em paz.*
Naquele dia, Ella tinha um compromisso. Havia dito que iria, mas sabia que no lugar a que se dirigia havia pessoas falsas, ambiente carregado. E então entendeu o recado. Ficou mais tempo na cama, coberta não só pelo lençol, mas pela presença da mãe que, mesmo ausente, ainda a aconselha com firmeza e amor.
Levantou-se serena. Não precisava ir. Precisava ficar. Em casa. Em si. Em paz.
*Suzana Super Maravilhosa
09/05/25
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