O Melhor de Envelhecer
Ella ajeita os óculos sobre o nariz, cruza as pernas com elegância e solta um leve sorriso. Aos 59 anos, prestes a completar 60 em julho de 2025, ela já não precisa justificar tanto. Hoje, dizer não virou um exercício de amor-próprio. Um escudo de liberdade moldado com o tempo, com as dores que passou, com as noites mal dormidas por tentar agradar.
Na juventude, dizia “sim” para quase tudo: favores que a deixavam exausta, encontros que não queria ir, palavras engolidas para manter a paz. Mas a maturidade — essa mestra firme e generosa — ensinou Ella que cada não dito ao outro, muitas vezes, é um sim dito a si mesma.
— Ella, você pode assumir isso para mim?
— Hoje não. Preciso cuidar de mim.
E ela cuida. Do corpo, da alma, da paz.
Não é egoísmo. É autocuidado.
Não é desprezo. É respeito.
Envelhecer, para Ella, é ter a coragem de ser fiel ao que sente. É não pedir desculpas por escolher o silêncio em vez da festa, o descanso em vez do sacrifício. É saber que o tempo é precioso demais para ser entregue à culpa.
Ella aprendeu que o “não” pode ser dito com delicadeza e firmeza ao mesmo tempo. Que o não, é uma porta que se fecha para o mundo, mas se abre para dentro. E ali dentro mora alguém que ela finalmente aprendeu a amar: ela mesma.
Porque o melhor de envelhecer, Ella diz, com a voz tranquila de quem não deve mais nada a ninguém,
é a liberdade de dizer não — e não se sentir mal por isso.
Suzana Super Maravilhosa
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