Ella brilha.
Ella gosta de teatro. Desde jovem, encantava-se com o som das cortinas se abrindo, com o cheiro da madeira do palco, com as luzes que aquecem mais do que iluminam. Já fez vários personagens — mocinhas, loucas, senhoras sábias, meninas sonhadoras. Cada um deixava nela um pouco de si, e levava um pouco dela também. Ella tem talento, isso salta aos olhos. E tem coragem — essa força silenciosa que faz alguém se lançar, mesmo com medo. O que lhe faltou, ao longo da vida, foi oportunidade.
E quando, raramente, a oportunidade batia à porta, era o tempo que faltava. Ou melhor: a permissão interna para abrir mão do cuidar do outro, mesmo que por um instante. Ella sempre cuidou. Cuidou dos filhos, do marido, da casa, dos pequenos detalhes que sustentam o dia. E, ao cuidar dos outros, foi deixando seus sonhos dormindo num canto da alma.
Lembra com clareza da vez em que foi convidada para viajar com seu grupo de teatro. Era uma chance rara. Mas seus três filhos ainda eram pequenos, e o casamento, um compromisso que exigia presença mais do que amor. Ela não foi. Engoliu a dor com dignidade, disfarçou com sorrisos, como toda boa atriz. E seguiu.
Mas Ella nunca deixou de sonhar. Escreve. Escreve muito. As palavras viraram suas falas, os cadernos, seus palcos. Ela acredita que, um dia, a sorte encontrará sua capacidade. E com ela virá a oportunidade certa, aquela que casa com o tempo e com o desejo.
Com mais de meio século de vida, Ella continua brilhando. Brilha no olhar, na escuta atenta, nas palavras que oferece ao mundo. Ainda deseja atuar — não apenas no palco de madeira, mas no palco maior, o da vida, onde ela já é e sempre foi protagonista.
Ella é atriz. Não apenas porque representa bem, mas porque vive com intensidade. Porque sente. Porque escolhe, todos os dias, continuar.
Ella é muitas. Mas, acima de tudo, Ella é única.
Ella é...
Suzana Super Maravilhosa.
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