domingo, 18 de maio de 2025

Ella a protagonista

Ella, a protagonista

Ella nunca precisou de holofotes para saber que era a protagonista. Desde muito cedo, entendeu que o palco da vida não distingue grandes ou pequenos papéis. Cada passo que deu, cada palavra que calou, cada lágrima ou sorriso foi interpretado com a alma de quem sabe: o Autor da sua história não revela os próximos capítulos, mas escreve com exatidão os trechos que o coração dela pode suportar.

Viveu tragédias com a mesma entrega com que viveu comédias. Foi mãe, foi filha. Se chorou, também gargalhou. Se perdeu, também se achou — sobretudo dentro de si mesma. Descobriu que a emoção não está no que se vive, mas em como se vive. Ella viveu tudo com presença e gratidão.

Houve um tempo em que teve irmãos por perto, dividindo risos e silêncios. Mas a vida, com seu jeito sutil de separar páginas, colocou cada um em seu próprio quadrado, em caminhos que não mais se cruzam. Hoje, Ella se considera filha única — não por falta de laços, mas pela ausência de laços vivos no cotidiano.

Órfã de pai e mãe, aprendeu a transformar ausência em força e a fazer da saudade um canto manso que embala a alma. Na solitude que muitos evitam, Ella floresce. Ama sua própria companhia como quem dança sozinha numa sala vazia, sem plateia, sem ensaio, mas com entrega total.

Ella sabe: o espetáculo não termina enquanto há vida. E ela segue, cena após cena, com o coração aberto, vivendo intensamente o roteiro que a vida lhe dá.

Suzana Super Maravilhosa

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