Cada Qual no Seu Quadrado
Por Suzana Super Maravilhosa
Ella senta no sofá com o sol da tarde tocando o rosto. Não pensa nos filhos com mágoa, mas com uma espécie de aceitação que vem da maturidade. Aprendeu, com o tempo, que mãe não precisa saber tudo. Que há coisas que chegam, outras não, e tudo bem. Ela deixou de tentar controlar o que escapa pelas frestas da vida.
Aprendeu também que doar é escolha, não obrigação. E que há uma medida justa: doar sem se anular, amar sem invadir. Cada qual no seu quadrado, como ela costuma repetir, meio rindo, meio séria. Cada qual com seus problemas — e que os filhos aprendam a lidar com os deles.
Ella decidiu parar de mandar mensagens, de perguntar demais. Não por descaso, mas por uma clareza calma: são os filhos que precisam procurar os pais, não o contrário. Ela está aqui, inteira em sua presença, mas não à disposição de uma eternidade de cobranças.
Ela vive a vida um dia por vez. Não por resignação, mas por escolha. Descobriu o sabor de estar só sem estar vazia. Com *solitude*, mas *solidão*, jamais.
Na casa, a filha que mora com ela tem seu espaço respeitado. Ella é grata. A presença da filha é uma alegria tranquila, não uma dependência. São duas mulheres vivendo juntas, mas cada uma consigo mesma.
Ella sorri. O mundo não precisa saber o que ela sente, nem os filhos, nem ninguém. Basta que ela saiba — e isso já é muito.
*Suzana Super Maravilhosa*
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