domingo, 18 de maio de 2025

Fácil, nunca foi.

Fácil, nunca foi 

Ella foi criada ouvindo que todos eram iguais. Que com esforço e dedicação, tudo era possível. Que bastava estudar, sorrir e ser educada. E ela tentou. Tentou muito.

*Fora criada com igualdade, quando o que queria — e precisava — era equidade.*

Com o tempo, percebeu que os caminhos prometidos não eram os mesmos. Ao buscar emprego, ouviu mais de uma vez que precisava ter “boa aparência”. Mas Ella sabia o que isso queria dizer. Estava ali, disfarçado: boa aparência era ter a pele clara, o cabelo alisado, o rosto dentro de um padrão que não era o dela.

*Ella tinha o conhecimento. Mas sendo preta, tudo ficava mais difícil.*

Não importava o quanto estudasse ou o quanto fosse competente. O olhar atravessado vinha antes do currículo. A dúvida vinha antes da escuta. A barreira vinha antes da oportunidade.

Foi quando ela cansou de correr de salto enquanto os outros corriam de tênis. Cansou de se ajustar, de se encolher, de se silenciar.

E disse:
“Não queira competir comigo com vantagem. Vem agora: os dois descalços. Ou os dois no salto alto.”

Ella não busca aplauso. Busca justiça.
Não quer favor. Quer respeito.

Porque ela é mulher. É preta. É capaz.
E pode estar — e permanecer — onde ela quiser.

Suzana Super Maravilhosa

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