Ella foi criada ouvindo que todos eram iguais. Que com esforço e dedicação, tudo era possível. Que bastava estudar, sorrir e ser educada. E ela tentou. Tentou muito.
*Fora criada com igualdade, quando o que queria — e precisava — era equidade.*
Com o tempo, percebeu que os caminhos prometidos não eram os mesmos. Ao buscar emprego, ouviu mais de uma vez que precisava ter “boa aparência”. Mas Ella sabia o que isso queria dizer. Estava ali, disfarçado: boa aparência era ter a pele clara, o cabelo alisado, o rosto dentro de um padrão que não era o dela.
*Ella tinha o conhecimento. Mas sendo preta, tudo ficava mais difícil.*
Não importava o quanto estudasse ou o quanto fosse competente. O olhar atravessado vinha antes do currículo. A dúvida vinha antes da escuta. A barreira vinha antes da oportunidade.
Foi quando ela cansou de correr de salto enquanto os outros corriam de tênis. Cansou de se ajustar, de se encolher, de se silenciar.
E disse:
“Não queira competir comigo com vantagem. Vem agora: os dois descalços. Ou os dois no salto alto.”
Ella não busca aplauso. Busca justiça.
Não quer favor. Quer respeito.
Porque ela é mulher. É preta. É capaz.
E pode estar — e permanecer — onde ela quiser.
Suzana Super Maravilhosa
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