O Silêncio Escolhido de Ella
Ella sabia exatamente o que era o tempo. Não o das horas que correm no relógio, mas aquele tempo interno, que pulsa calmo ou frenético, conforme a alma permite. Diziam que ela vivia em ósseo — e diziam com um certo ar de crítica, como quem aponta o dedo para um descuido. Mas Ella sorria. Sabia que viver em ósseo não era ausência de ocupação, era presença de escolha.
Enquanto o mundo se atropelava em listas de tarefas, urgências inventadas e metas que jamais se esgotam, Ella acordava com o dia e decidia, com firmeza, o que não faria. Não correria para lugar nenhum. Não se perderia em promessas alheias. Não atenderia expectativas que não eram suas. E, assim, na aparente inércia, ela se movia para dentro.
Sentava-se na varanda, observava a luz atravessar as folhas, ouvia os sons que o ruído do cotidiano costuma abafar. Lia quando queria. Pensava quando sentia. Dormia se o corpo pedia. Ella fazia da quietude um abrigo, e do não-fazer, um ato revolucionário.
Não era preguiça — era sabedoria. Ella escolhia não se ocupar de tudo para poder se ocupar de si. E nesse mundo onde todos querem mais, ela, com delicadeza, queria menos. Menos pressa, menos barulho, menos cobrança. Porque, às vezes, viver em ósseo é justamente a maneira mais intensa de estar viva.
Ella sabia: o tempo, quando respeitado, devolve a leveza. E enquanto o mundo girava como louco, ela permanecia em sua ilha tranquila, onde o silêncio não é solidão, mas escolha.
Suzana Super Maravilhosa
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