Minha geração vive pouco
Sou de uma geração que pessoas jovens adoecem, pessoas jovens morrem e eu ainda sonho em viver cento e vinte anos.
Sou de uma geração que até teve suas alegrias, teve uma infância diferente. Sim, diferente dessa geração de hoje.
Minha lista de amigos e amigas, já consigo contar quantos morreram com menos de sessenta anos.
Um dia, vi minha mãe, já com mais de 70 anos, reunidas com uns amigos, também da sua faixa etária e achei intrigante a conversa, onde eles estavam falando dos amigos e amigas que haviam morrido com setenta anos ou mais!
Então chamei meu primo e disse:
- Vamos sair daqui, falar dos que nasceram, aqui nessa roda de conversa, só morrem.
Hoje, com meus cinquenta mais vejo que sou de uma geração de pessoas que vive pouco e morre cedo.
Quantos, mais novos que eu, eu já enterrei?
Minha amiga Estrela, morreu aos 50 anos. Meu amigo Sereno morreu aos 57 anos. E aquele meu amigo de escola Alegria, foi aos 35 anos. Teve aquele outro amigo Neblina, morreu com 53 anos. Teve também uma jovem de apenas 47 anos, à Esperança. E Felicidade, aos 58 anos, foi tão de repente, parecia ter tanta vida pela frente.
Verdade! Sou de uma geração que vive pouco e morre cedo.
Quando digo que vive pouco é porque estamos sobrevivendo.
O tempo está passando e muitos estão presos ao seu trabalho, dormindo pouco e se divertindo nada. Cedo, adoecendo e… morrendo.
Sou de uma geração que vive pouco e morre cedo.
Eu sou uma vitoriosa já passei dos cinquenta. Já passei por cinco cirurgias, onde, a anestesia geral é uma sensação iminente de morte.
Minha geração, vive pouco e morre cedo.
Suzana Super Maravilhosa