sexta-feira, 9 de maio de 2025

O eco da dor

O Eco da Dor

Ouvir dizer que o ferido fere, o magoado magoa. Confesso: achei que não fosse assim. Acreditei que a dor pudesse ensinar compaixão, e não vingança. Mas a vida, com sua lousa imprevisível, risca certezas e escreve verdades duras, daquelas que a gente prefere ignorar.

O que se vê por aí são respostas imediatas, gestos impensados, palavras afiadas saindo como espinhos da boca de quem, um dia, só queria flores. E o mais cruel de tudo é que nem sempre percebemos a dor que causamos no outro. Nos protegemos tanto, que o escudo se transforma em lança. A autodefesa, que deveria ser abrigo, vira arma. E atinge em cheio quem menos esperava.

É fácil apontar os que ferem. Difícil é ver que, muitas vezes, nós também o fazemos. Não por maldade, mas por medo. Medo de sofrer de novo, de se entregar, de confiar. E assim seguimos, repetindo um ciclo silencioso, onde as dores se ecoam, se confundem, se perpetuam.

Fica aqui um convite: antes de reagir, respire. Antes de julgar, olhe com ternura. E antes de ferir, lembre-se: todos nós carregamos cicatrizes. Algumas visíveis, outras nem tanto. Mas todas clamando, em silêncio, por um pouco mais de empatia.

*— Mônica Paim*

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