segunda-feira, 12 de maio de 2025

Casa cheia, coração cheio



Casa Cheia, Coração Cheio

O carnaval chegou trazendo com ele o som das risadas, o aroma de comidas feitas com carinho e o calor das presenças amadas. A casa de Ella, tão silenciosa em dias comuns, se encheu de vozes conhecidas. Filhos, neta, sobrinha — todos ali, como uma orquestra desajeitada porém afinada no amor. A mesa parecia pequena demais para tantos. Faltavam cadeiras, mas sobravam histórias.

Havia dias em que bastava acordar e já seguir direto para a praia. Voltavam apenas à noitinha, depois do pôr do sol tingir o céu de laranja e dourado. Tomaram chuva, riram molhados. E sempre traziam nos pés aquela areia fina, viva, que se espalhava pelo chão da casa. Mas essa sujeira não incomodava — representava a vida, a alegria, os dias cheios de calor e amor.

Como se não bastasse a aventura do mar, teve até um dia em que faltou água. E então começou o verdadeiro espetáculo: reaproveitar vasilhas, juntar a água da chuva, improvisar banhos rápidos. Em certo momento, Ella riu ao ver sua filha e sua neta saindo com toalhas na mão rumo à casa da comadre — pediram para tomar banho lá. Era o tipo de situação que, em outro tempo, causaria estresse. Mas ali, no caos gostoso dos afetos, virou motivo de riso e história para contar.

Na cozinha, risos entrecortavam o barulho das panelas. Na sala, um esperava o outro sair do banheiro, cada qual com seu tempo e seu jeito. A bagunça era viva. Era toalha molhada no sofá, era chinelo trocado, era criança correndo, era gente demais e espaço de menos. Era vida pulsando dentro das paredes que, dias antes, só conheciam os passos lentos de Ella.

Mas como tudo que é festa, também passou.

E então, a casa se esvaziou. O silêncio voltou como velho conhecido. Ella sentou-se na poltrona preferida com uma xícara de chá, olhou ao redor e sorriu. A desordem havia ido embora, mas algo bom havia ficado: a memória viva de um lar cheio de afeto. E na quietude que restava, ela reencontrou sua solitude. Não como ausência, mas como presença de si mesma.

Porque Ella sabe: há alegria na festa e há paz quando a festa termina. E ela sabe aproveitar as duas.

*Suzana Super Maravilhosa*


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