quinta-feira, 31 de julho de 2025

Ella, sabe ser feliz


Ella nunca desejou a morte de ninguém. Não porque lhe faltasse raiva ou memória — ah, Ella se lembrava bem do que fizeram com ela. Das palavras atravessadas como lanças, dos sorrisos falsos cheios de veneno, das traições disfarçadas de amizade.
Mas Ella conhecia o tempo. E sabia: ele é mais justo que qualquer vingança.
Enquanto alguns colecionavam maldades achando que sairiam ilesos, Ella seguia em paz, porque tinha certeza: na velhice, o corpo fraqueja, mas é a alma que sente o peso do que se fez. É ali, entre rugas e silêncios, que a consciência começa a falar alto. E ela não grita — a consciência sussurra quando a casa está vazia, quando o telefone não toca, quando os olhos já não enxergam, mas lembram.
Ella não desejava dor, nem castigo. Só desejava que vivessem o suficiente para sentir o reflexo do que foram.
E Ella? Seguia em frente. Com leveza.
Pois, o que importava para Ella no momento presente, não era o futuro — era viver o agora com intensidade, sabendo que cada cicatriz fazia parte da sua história, que cada marca contava a sua trajetória.
E por muitas vezes, quando lhe vinha à mente a imensa lembrança de algum sofrimento que havia passado, Ella respirava fundo e recordava: o mais bonito era — e sempre foi — a sua alegria, a sua vida, a sua vocação de ser feliz.
Independente de qualquer coisa, Ella sabia ser feliz.
Tinha lembranças, tinha memória — porque, afinal de contas, Ella não tem amnésia.


Suzana Super Maravilhosa 


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