domingo, 20 de abril de 2025

Tribo é onde o coração se reconhece

*Tribo é onde o coração se reconhece*

Engraçado como as pessoas se aproximam.  
Às vezes, não é por grandes afinidades intelectuais ou laços antigos,  
mas por trilhos — caminhos parecidos que vão se encontrando ao longo da vida.

Tem a amiga da seresta — parceira de dança e de risada.  
Tem a amiga da praia, que entende o silêncio do mar  
e o gosto de água salgada na pele.  
Tem a amiga que liga só pra conversar “assunto de velho”,  
e a gente ri disso, porque afinal,  
rir é uma ponte que une qualquer idade.

Eu penso que essas conexões são como tribos.  
Não tribos fixas, daquelas que vestem uniforme e falam igual,  
mas tribos líquidas, flexíveis, feitas de momentos, gostos, fases.  
Se eu tivesse ido pra faculdade, talvez tivesse uma amiga de lá —  
minha amiga de sala, de café corrido  
e de confidências em corredores.

Mas não fui.  
E ainda assim, as minhas tribos surgem e se desfazem no compasso da vida.

E às vezes, tem fase que não tem tribo.  
Só tem eu.  
Eu e minha solitude, essa companhia que aprendi a apreciar.  
Nesses momentos, me sinto inteira.  
Não falta ninguém.  
Caminho comigo mesma  
e descubro que há um tipo de silêncio que conversa,  
um tipo de solidão que acolhe.

Porque tribo também pode ser um tempo de ser só.  
E viver bem, mesmo assim.

Suzana Super Maravilhosa

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