*Tribo é onde o coração se reconhece*
Engraçado como as pessoas se aproximam.
Às vezes, não é por grandes afinidades intelectuais ou laços antigos,
mas por trilhos — caminhos parecidos que vão se encontrando ao longo da vida.
Tem a amiga da seresta — parceira de dança e de risada.
Tem a amiga da praia, que entende o silêncio do mar
e o gosto de água salgada na pele.
Tem a amiga que liga só pra conversar “assunto de velho”,
e a gente ri disso, porque afinal,
rir é uma ponte que une qualquer idade.
Eu penso que essas conexões são como tribos.
Não tribos fixas, daquelas que vestem uniforme e falam igual,
mas tribos líquidas, flexíveis, feitas de momentos, gostos, fases.
Se eu tivesse ido pra faculdade, talvez tivesse uma amiga de lá —
minha amiga de sala, de café corrido
e de confidências em corredores.
Mas não fui.
E ainda assim, as minhas tribos surgem e se desfazem no compasso da vida.
E às vezes, tem fase que não tem tribo.
Só tem eu.
Eu e minha solitude, essa companhia que aprendi a apreciar.
Nesses momentos, me sinto inteira.
Não falta ninguém.
Caminho comigo mesma
e descubro que há um tipo de silêncio que conversa,
um tipo de solidão que acolhe.
Porque tribo também pode ser um tempo de ser só.
E viver bem, mesmo assim.
Suzana Super Maravilhosa
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